Os pesquisadores associam o desgaste à persistente polarização partidária, agravada pelos preparativos para o pleito de 2026
Por Misto Brasil – DF
O ecossistema de informação passa por uma mudança estrutural histórica. Pela primeira vez, as redes sociais e plataformas de vídeo ultrapassaram os sites e a TV como principal fonte de informação global.
Os dados são do Digital News Report 2026, do Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo, divulgado nesta terça-feira (16) em Oxford.
O estudo ouviu quase 100 mil pessoas em 48 mercados e revela que, embora 54% usem as redes para se informar, apenas 22% confiam no conteúdo desses ambientes digitais.
A confiança geral nas notícias caiu para 37% no mundo — o menor patamar da série histórica. No Brasil, o tombo foi severo: o índice recuou seis pontos percentuais em um ano e estacionou em 36%, o pior resultado em 12 anos.
Os pesquisadores associam o desgaste à persistente polarização partidária, agravada pelos preparativos para o pleito de 2026 e pelo forte impacto político da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2025.
Essa estafa informativa fez com que 47% dos brasileiros admitissem evitar o noticiário com frequência.
Apesar da crise no ambiente digital amplo, o jornalismo profissional resiste como uma ilha de credibilidade.
Veículos tradicionais como CNN Brasil, Record News, SBT News, BandNews, Folha, O Globo, Estadão e Uol mantêm taxas de confiança elevadas, flutuando entre 53% e 62%.
O dado indica que a rejeição do público está ligada à desinformação das plataformas, e não às redações. Mesmo assim, as redes superam a TV em 9 pontos no país, lideradas por Instagram e WhatsApp.
O relatório consolida ainda o papel dos criadores de conteúdo: 33% dos brasileiros consomem informações por influenciadores digitais. No cenário nacional, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) foi o nome mais citado espontaneamente pelos entrevistados, liderando o segmento conservador.
No campo progressista, Felipe Neto desponta entre os jovens, enquanto o canal Galãs Feios lidera em sátira política. O estudo pondera que os criadores funcionam apenas como um complemento, já que só 3% da audiência supre suas necessidades de informação exclusivamente com eles.
Por fim, o uso de Inteligência Artificial para acessar notícias já atinge 13% dos brasileiros.
O público aciona os chatbots para resumir temas complexos, mas mantém um forte viés de checagem: 42% dos usuários clicam nos links originais e, destes, 44% o fazem para validar se o robô acertou, devolvendo o papel de avalista final da verdade aos veículos de comunicação tradicionais.
O nicho da alta credibilidade: o público do Misto Brasil
Embora o relatório da Reuters aponte uma degradação generalizada na confiança do cidadão comum frente ao noticiário de massa, os veículos de nicho focados em política, administração pública e bastidores do poder registram um comportamento inverso.
É o caso do ecossistema de leitores do Misto Brasil.
Por ser composto majoritariamente por tomadores de decisão, parlamentares e profissionais do setor público, esse perfil de público consome informação de forma técnica e analítica.
Para esse leitor, portais especializados funcionam como filtros de credibilidade contra o ruído das redes sociais.
Assim, enquanto a média nacional de confiança despencou para 36%, veículos com o perfil do Misto Brasil operam em uma faixa de fidelidade e credibilidade que acompanha o topo do índice dos grandes veículos profissionais (acima de 60%), demonstrando que o público qualificado ainda premia o jornalismo de bastidor focado em fatos.



















