Em tese, teremos, a partir de 19 de junho, 60 dias sem hostilidades, tempo em que as partes irão costurar um acordo de verdade
Por Marcelo Rech – DF
Apesar de todos os anúncios e seus eventuais impactos políticos e econômicos, o acordo de paz entre EUA e Irã simplesmente não existe. Na melhor das hipóteses, temos um rascunho de memorando de entendimento, que seria apenas uma espécie de acordo preliminar.
Caso não haja nenhuma nova intercorrência, Washington e Teerã acertaram uma ampliação da frágil trégua. Para os EUA, é hora de vender uma vitória.
Para o Irã, ganhar tempo para, depois, protelar qualquer decisão em relação ao que verdadeiramente importa.
Em tese, e apenas em tese, teremos, a partir de 19 de junho, 60 dias sem hostilidades, tempo em que as partes irão costurar um acordo de verdade. E é aí que as coisas mudam de figura. O Irã não quer acordo algum.
O regime yihadista está convencido de que pode ir além, após ter resistido ao paradoxo da decapitação.
Em que consiste esse paradoxo? Trump acreditava que, ao eliminar o Líder Supremo, Ali Kamenei, o regime cairia de vez. Priorizou a decapitação do regime, eliminando a cabeça que mantinha a disciplina interna.
No entanto, em seu lugar, assumiu um triunvirato que comanda a Guarda Revolucionária, incapaz de forçar aos radicais a aceitação de concessões dolorosas como o abandono completo do programa nuclear.
Hoje, o Irã está sob o comando de várias lideranças, nenhuma com o poder absoluto que detinha Kamenei. O regime não implodiu como Trump esperava e não governa a própria rendição.
Dito de outra forma: a reabertura efetiva do Estreito de Ormuz não pode ser garantida por ninguém. Dentro ou fora do Irã.
Enquanto não chega o dia 19, data prevista para a assinatura do acordo já anunciado, na Suíça, com mediação do Paquistão e do Sultanato de Omã, Teerã continuará enriquecendo urânio a 60% e proibindo qualquer inspeção por parte da Agência Internacional de Energia Atômica (AEIA).





















