A região se tornou uma arena de fortes divisões internas, ressurgimento de oligarquias e governadorescom forte desgaste
Por Misto Brasil – DF
A Região Nordeste, tradicionalmente o principal pilar de sustentação da esquerda no Brasil, chega ao ano eleitoral de 2026 imersa em um complexo e imprevisível xadrez político.
Esta é a terceira parte da série que iniciamos para dar uma panorâmica do momento político para os governos dos estados e com informações da imprensa local.
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Longe de apresentar um cenário homogêneo, a região se tornou uma arena de fortes divisões internas, ressurgimento de oligarquias e governadores de mandato enfrentando forte desgaste popular em estados-chave.
Pernambuco: confronto direto – No Palácio do Campo das Princesas, a disputa será uma das mais eletrizantes do país.
A atual governadora, Raquel Lyra (PSD), enfrentará o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB). Reeleito na capital com votação histórica, Campos desponta como favorito nas pesquisas preliminares, registrando 42% das intenções de voto contra 34% de Lyra.
Em cenários de segundo turno, a vantagem do pessebista vai a 46% contra 38%. Raquel aposta no peso da máquina estadual e no avanço de obras pelo interior para reverter o quadro.
Correndo por fora, a esquerda ideológica tenta se posicionar com Ivan Moraes (PSol), enquanto nomes da direita conservadora, como Gilson Machado, recuaram para focar na chapa proporcional.
Ceará: racha e Rejeição – A divisão interna do bloco governista cearense ganhou contornos dramáticos.
O governador Elmano de Freitas (PT) confirmou que buscará a reeleição, mas enfrenta altíssima rejeição. Ele aparece em empate técnico com o ex-governador Ciro Gomes (Avante).
O xadrez local mostra que, se o ministro Camilo Santana (PT) fosse o candidato, a esquerda venceria Ciro por 40% a 33%. Contudo, com Elmano na cabeça de chapa, Ciro vira o jogo para 41% a 32%.
A direita mantém forte presença no estado com o senador Eduardo Girão (Novo) e André Fernandes (PL), surfando na expressiva votação obtida nas últimas eleições de Fortaleza.
Bahia: Hegemonia em Xeque – Na Bahia, a hegemonia petista de duas décadas é duramente testada.
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) enfrenta dificuldades para consolidar sua liderança e aparece numericamente atrás do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), nas principais sondagens.
A oposição capitaliza o desgaste da segurança pública no estado — o calcanhar de Aquiles do governo —, enquanto o PT aposta na forte associação da imagem de Jerônimo com a do presidente Lula para recuperar terreno.
Sergipe: Mitidieri Consolida Base contra a Oposição Rogério – Em Sergipe, o governador Fábio Mitidieri (PSD) caminha para tentar a reeleição em um cenário de forte articulação política. Mitidieri conseguiu consolidar o apoio de grandes prefeituras do interior e mantém uma relação estreita com o prefeito de Aracaju.
O principal polo de resistência ao seu projeto continua sendo liderado pelo senador Rogério Carvalho (PT), que tenta nacionalizar o debate colando sua imagem à do presidente Lula para unificar a esquerda no estado, repetindo a polarização acirrada que marcou o pleito anterior.
Alagoas: O Embate de Clãs entre Calheiros e Lira – Alagoas permanece como um dos terrenos mais conflagrados e polarizados do Nordeste, servindo de palco para a histórica guerra fria entre o grupo do ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), e o do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP).
O atual governador Paulo Dantas (MDB), aliado dos Calheiros, busca manter a hegemonia governista usando o peso das obras estaduais.
Do outro lado, Arthur Lira joga todas as suas fichas na estruturação de uma forte chapa de oposição, impulsionada por prefeitos aliados e partidos do centro à direita, transformando o estado em uma disputa voto a voto pelo controle político e pelas duas vagas ao Senado.

Piauí: Rafael Fonteles e o Cinturão Petista – Diferente de vizinhos que enfrentam desgaste, o governador Rafael Fonteles (PT) chega a 2026 consolidado como uma das principais lideranças da nova geração da esquerda nordestina.
Com altos índices de aprovação ancorados em investimentos de infraestrutura e tecnologia, Fonteles lidera o processo de reeleição com amplo favoritismo nas pesquisas preliminares. A
oposição piauiense, historicamente ligada a nomes como o do senador Ciro Nogueira (PP), tenta organizar uma frente ampla focada no agronegócio e nas insatisfações do eleitorado urbano de Teresina, mas enfrenta dificuldades para romper o histórico e resiliente “cinturão vermelho” do interior do estado.
Maranhão: Carlos Brandão e a sucessão sem Flávio Dino – No Maranhão, o governador Carlos Brandão enfrenta o desafio de manter a coesão da gigantesca base governista em seu projeto de reeleição.
Sem a liderança direta de Flávio Dino (consolidado no STF e fora da política partidária), o grupo governista convive com disputas internas silenciosas pelo controle do estado.
A oposição tenta se reorganizar surfando na força do agronegócio na região Sul do estado e no crescimento de lideranças de centro-direita na capital, São Luís, tentando quebrar a hegemonia que comanda o Palácio dos Leões há mais de uma década.
Paraíba: João Azevêdo e a Guerra de Famílias pelo Senado – A Paraíba vive um cenário de intensa movimentação, onde o governador João Azevêdo (PSB) tenta pavimentar seu grupo rumo à sucessão estadual.
O grande gargalo político local não está apenas no governo, mas na acirrada disputa pelas duas vagas ao Senado, que colocou antigas oligarquias e famílias tradicionais paraibanas em rota de colisão.
Lideranças ligadas ao clã Ribeiro e aos herdeiros políticos do interior travam um embate direto com o crescimento de prefeitos saídos de grandes polos como João Pessoa e Campina Grande, deixando o cenário completamente fragmentado.
Rio Grande do Norte: Fátima Bezerra e o Desafio da Sucessão – No Rio Grande do Norte, a governadora Fátima Bezerra (PT), que cumpre seu segundo mandato, enfrenta o desgaste natural da máquina e foca suas energias em construir um nome competitivo para a sua sucessão.
O Rio Grande do Norte tem se mostrado um dos terrenos mais férteis para o crescimento da direita e do centro no Nordeste, impulsionado pela forte oposição liderada pelo senador Rogério Marinho (PL).
A disputa pelo governo potiguar promete ser uma das mais polarizadas da região, opondo o legado social do PT no interior contra o discurso de eficiência fiscal e segurança da oposição.