Bacia Amazônica abriga mais de 2,7 mil espécies de peixes

Peixe pirarucu Amazônia Misto Brasil
O pirarucu é um peixe da Amazônia que está em processo de extinção/Arquivo/Horizonte
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Amazônia é uma das últimas grandes bacias hidrográficas do mundo em que ainda é possível evitar uma perda de biodiversidade em larga escala.

Por Rafael Cardoso – DF

A Bacia Amazônica abriga mais de 2,7 mil espécies de peixes de água doce, cerca de 15% de todas as espécies conhecidas no mundo. Aproximadamente dois terços delas são encontradas exclusivamente na região.

Os dados fazem parte da quarta edição do relatório Peixes Esquecidos da Amazônia, liderado pela The Nature Conservancy (TNC), que reúne informações de mais de 50 especialistas de 30 organizações.

Segundo os autores, a Amazônia é uma das últimas grandes bacias hidrográficas do mundo em que ainda é possível evitar uma perda de biodiversidade em larga escala e manter extensos sistemas de rios conectados. Para isso, porém, é preciso intensificar as ações antes que sejam necessários processos de restauração mais complexos e caros, explica a cientista da TNC e autora principal do relatório, Fernanda Silva.

“Em todo o mundo, os esforços de conservação estão cada vez mais voltados à restauração dos ecossistemas depois que os danos já ocorreram. A Amazônia oferece uma oportunidade diferente: proteger um sistema de água doce de importância global enquanto ele ainda está em pleno funcionamento”, disse Fernanda.

O relatório combina evidências científicas com conhecimento ecológico tradicional. A abordagem mostra que os peixes estão diretamente relacionados à manutenção dos ecossistemas, à segurança alimentar, às culturas, aos meios de subsistência e às economias das populações que vivem na região.

Segundo o levantamento, os peixes são indicadores de uma Amazônia saudável e contribuem para o funcionamento da floresta.

Tambaquis, pacus e matrinxãs, por exemplo, entram em áreas de floresta alagada para se alimentar de frutos e podem dispersar sementes por grandes distâncias. Outras espécies transportam nutrientes e energia entre os ambientes aquáticos e terrestres.

A redução dessas populações pode provocar efeitos em cadeia sobre a vegetação e sobre animais que dependem dos peixes, como botos, ariranhas e aves.

A conectividade dos rios é outro elemento central. A dourada, uma das espécies analisadas, realiza a mais longa migração exclusivamente em água doce já registrada.

Um único indivíduo pode percorrer mais de 11 mil quilômetros durante seu ciclo de vida, conectando as cabeceiras próximas aos Andes ao estuário do Amazonas.

Quando essas conexões são interrompidas, os impactos podem ser grandes.

No rio Madeira, por exemplo, barragens bloquearam antigas rotas migratórias da dourada e contribuíram para a redução dos estoques de peixes e para o desaparecimento, na prática, de uma atividade pesqueira histórica na região da Cachoeira do Teotônio.

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