Os próprios debatedores disseram que foi um “show de horrores”. O encontro evidenciou que os participantes enfrentam passivos políticos.
Por Gilmar Corrêa – DF
O quarto debate entre os candidatos ao Governo do Distrito Federal foi o mais acalorado da campanha até o momento. Marcado por denúncias cruzadas, o encontro de duas horas e meia registrou a concessão de mais de 14 direitos de resposta pela comissão organizadora.
Desta vez, o programa contou com a participação da governadora Celina Leão (PP), que voltou a ser o principal centro das críticas da oposição. Também participaram os candidatos Ricardo Cappelli (PSB), Paula Belmonte (PSDB), Leandro Grass (PT), Kiko Caputo (Novo) e José Roberto Arruda (PSD).
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Promovido pelo portal Metrópoles no auditório do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) — instituição ligada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes —, o evento teve o clima aquecido tanto no palco quanto nas galerias ocupadas pelas militâncias partidárias.
Outro ponto de tensão do debate envolveu a participação dos jornalistas do veículo organizador. Durante os questionamentos, o candidato Ricardo Cappelli criticou diretamente a atuação da repórter Andrezza Matais.
Citou o desligamento da profissional do jornal O Estado de São Paulo após o episódio envolvendo uma reportagem contestada.
O tom das acusações começou no primeiro bloco, dedicado ao confronto direto entre os postulantes.
O embate entre Paula Belmonte e Celina Leão saiu do campo das propostas para focar em denúncias sobre familiares: o endividamento fiscal atribuído ao empresário Luís Felipe Belmonte, marido de Paula, e a acusação de repasses irregulares envolvendo Fabrício Faleiro Ferreira, companheiro da governadora.
O clima de contestação atingiu inclusive o encarregado de julgar os pedidos de reposta do encontro, o desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), Roberval Belinati.
O candidato Leandro Grass apontou um eventual conflito de interesses na concessão dos direitos de resposta, afirmando que dois filhos do magistrado ocupam cargos comissionados no Palácio do Buriti.
Avaliado por parte dos próprios concorrentes como um “show de horrores” – como disse Kiko Caputo -, o encontro evidenciou que os seis participantes enfrentam passivos políticos diante do eleitorado.
As deficiências da administração pública nas áreas de saúde, educação e segurança figuraram entre os temas centrais, assim como a grave situação financeira do Banco de Brasília (BRB).
Ao responder sobre as falhas de gestão, Celina Leão buscou se desvincular do histórico da gestão de Ibaneis Rocha, argumentando que sua propaganda eleitoral abrange apenas os últimos cinco meses, período em que assumiu efetivamente o comando do Executivo local, em abril passado.
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