Os dois principais candidatos à Presidência passaram a citar a crise como forma de cavalar votos dos indecisos.
Por Misto Brasil – DF
A crise sem fim à vista no Supremo Tribunal Federal (STF) tem dominado o noticiário brasileiro a menos de três semanas do primeiro turno presidencial.
Revelações sobre condutas suspeitas de ministros da Corte, embates internos e quebras de sigilo de inquéritos ligados ao escândalo do Banco Master vêm tomando as páginas do noticiário, em detrimento de eventos de campanha e divulgação de propostas.
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Nomes de ministros envolvidos na crise, como Alexandre de Moraes e André Mendonça, saltaram em buscas no Google. Já as campanhas presidenciais rivais de Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) estão se vendo na posição de reagir aos novos desdobramentos da crise do Tribunal a cada dia.
No domingo (13/09), o jornal britânico Financial Times avaliou em reportagem que a crise “sem precedentes” no STF entre Mendonça e Moraes “pode ter um impacto decisivo” na eleição de outubro.
Embora o desgaste do STF já se arraste desde dezembro de 2025, quando surgiram as primeiras revelações de envolvimento de ministros com o caso Master, a crise só ganhou contornos de convulsão institucional no início de setembro, quando Mendonça revelou trechos de um inquérito que redobraram as suspeitas sobre Moraes.
Não demorou para que o próprio Mendonça também passasse a ser alvo de suspeitas e de acusações de favorecer bolsonaristas.
Lula e Flávio ajustam campanhas
Nas últimas duas semanas, Lula e Flávio Bolsonaro passaram a usar a crise tanto como munição política quanto para defender mudanças na Corte.
Num comício em Curitiba no último sábado (12), Lula da Silva argumentou que as fraudes do banqueiro Daniel Vorcaro, o antigo controlador do Master, prosperaram sob os anos do bolsonarismo.
E, num aceno para petistas insatisfeitos com o STF, Lula da Silva também se distanciou dos ministros do Tribunal, ao afirmar “ninguém pode ser ministro da Suprema Corte para ficar rico”.
Dois dias antes, em uma entrevista, Lula também defendeu discussões para o estabelecimento de mandatos para os ministros. “Ninguém pode ficar 40 anos no mesmo cargo”, disse.
Flávio Bolsonaro, que enfrenta sua própria avalanche de suspeitas envolvendo a produção do filme Dark Horse, vem tentando se pintar como alguém que estaria sendo perseguido pelo STF.
O candidato do PL ainda vem tentando associar Moraes com o governo petista. Na semana passada, durante evento em São Paulo, Flávio disse “quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes”.
O senador ainda tem reforçado para seu eleitorado que o próximo presidente terá direito a indicar pelo menos quatro ministros do STF, podendo mudar consideravelmente a composição da Corte de 11 cadeiras. (Texto da DW)
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