O partido, já rachado, parece afundar mais e mais na crise e as lideranças batem cabeça
Texto de André César
A proposta de construção da chamada “terceira via” – ou “campo democrático” – vive provavelmente seus momentos finais. Após a saída do União Brasil do grupo de partidos que integram o bloco, as divergências dentro e entre as legendas restantes dificultam qualquer negociação. Um projeto prestes a se encerrar.
Em especial, as incertezas com relação ao futuro da terceira via tiveram forte impacto no PSDB. Entre os tucanos, caiu como uma bomba a possibilidade de seu pré-candidato, o ex-governador paulista João Dória, ingressar na justiça para fazer valer o que foi decidido nas prévias partidárias. O partido, já rachado, parece afundar mais e mais na crise.
Pior, as lideranças batem cabeça. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso declarou apoio a Dória, enquanto o paulista José Aníbal propõe a desistência do pré-candidato. Isso sem falar na posição do ex-senador e ex-ministro Aloysio Nunes, que anunciou apoio a Lula da Silva (PT) já no primeiro turno. O PSDB, hoje, é um barco à deriva, e o desempenho da legenda na disputa por cadeiras na Câmara dos Deputados pode ser seriamente afetado por esse quadro.
Na verdade, o pano de fundo para a situação atual é a disputa pelo comando da legenda – ou o que restar dela após a feroz batalha interna. O confronto envolve Dória, Aécio Neves (MG) e o atual presidente, o ex-deputado Bruno Araújo (PE).
Começando pelo pernambucano, ele tem sido alvo de duras críticas por parte de seus correligionários. De fato, a Araújo faltam pulso e capacidade de articulação. Político jovem, sua reduzida experiência cobra um preço elevado. Seu afastamento do comando do PSDB não surpreenderá. Questão de tempo.
Aécio Neves, por seu turno, vê no controle do tucanato um meio para retomar o protagonismo na cena política nacional. Como se sabe, o deputado mineiro entrou em baixa a partir da derrota para Dilma Rousseff (PT) nas eleições presidenciais de 2014. Sucessivas denúncias de corrupção obrigaram-no a mergulhar. Hoje, ele é uma pálida sombra do passado.
Por fim, Dória luta para manter-se na disputa sucessória. Confirmado seu nome, ele reafirmaria sua condição de liderança partidária. As chances da pré-candidatura ser descartada, porém, são muito grandes. Nesse caso, o ex-governador tende a deixar a legenda.
A verdade é uma só: nascido da costela do PMDB em 1988, o PSDB tal qual o conhecíamos não existe mais. Reduzido a uma legenda de médio porte, o partido luta para sobreviver. Os dias de glória ficaram no passado – passado esse que dificilmente voltará.


















