O cobertor curto do Orçamento de 2023

Ministério da Economia DF
Nos bastidores comenta-se que há pressão política para mudanças no ministério/Arquivo/Divulgação
Compartilhe:

Um dos principais problemas diz respeito ao reajuste dos servidores públicos federais

Por André César – SP

Entra ano e sai ano, a história se repete. A discussão do projeto da Lei Orçamentária de 2023 (LOA 23) esbarra em diferentes obstáculos, mas com uma única origem – a limitação dos recursos disponíveis. Em português claro, pouco dinheiro no cofre.

Um dos principais problemas diz respeito ao reajuste dos servidores. Há dificuldades inclusive para se garantir a correção linear de 5% a todo o funcionalismo (civis e militares), que chegou a ser cogitada pelo governo para 2022. Assim, está em estudo o reajuste exclusivo para as carreiras de Estado que, em tese, estão com os vencimentos mais defasados em relação aos da iniciativa privada.

HostMídia

Cabe lembrar aqui a recente promessa, não cumprida, de reajuste e de reestruturação das carreiras policiais do Executivo federal (Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e agentes penitenciários). Ao final, esses grupos ficaram a ver navios, com zero reajuste. Palavras ao vento do Planalto.

O quadro inevitavelmente gera fonte extra de pressão sobre o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), em plena campanha à reeleição. O funcionalismo, como se sabe, tem forte capacidade de mobilização e faz barulho junto à sociedade. Um desgaste que poderia ter sido evitado, gerado pela incapacidade do Planalto e da equipe econômica em negociar com os servidores.

Também o Auxílio Brasil tem dado dor de cabeça ao governo. Hoje em R$ 600, o valor a ser enviado para o próximo ano, a princípio, será de R$ 400. A diferença para menos poderá ser revertida caso as despesas discricionárias (não obrigatórias) caiam para uma faixa entre R$ 80 e R$ 85 bilhões – hoje elas somam a bagatela de R$ 154 bilhões. Aperto severo e baixíssimo investimento, em uma conta que simplesmente não fecha. Nova fonte de pressão sobre o governo.



Nem citamos aqui o famigerado orçamento secreto (emendas de relator, também conhecidas pela sigla RP9). Para 2023, a previsão é de um montante de R$ 19 bilhões, a serem distribuídos de maneira descoordenada entre os parlamentares, sem o controle dos ministérios responsáveis pela implementação das políticas públicas. Perde o país como um todo.

O tempo corre e o Executivo tem até o final de agosto para concluir o projeto e encaminhar ao Congresso Nacional. Será a primeira lei orçamentária do governo a ser eleito no pleito que se aproxima. O ambiente político já está conturbado e poderá ganhar dramaticidade adicional, a depender do conteúdo da proposta. Os próximos capítulos serão no mínimo emocionantes.

PARTICIPAÇÃO DO LEITOR

Participe desta discussão

Compartilhe sua opinião sobre este assunto. As participações passam por análise editorial antes de qualquer utilização no site.

Seu e-mail não será publicado.
Entre 20 e 3.000 caracteres.

Assuntos Relacionados

Siga o Misto Brasil

Acompanhe em todas as redes

Notícias, vídeos e destaques em tempo real. Escolha sua rede favorita.

Dica: acompanhe também pelo WhatsApp para receber atualizações rápidas.

Brasília e Entorno do DF

Oportunidades