O presidente Michel Temer convocou uma reunião de emergência com o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, prevista para a tarde deste domingo. Participarão do encontro representantes de associações de indústrias exportadoras de carnes e de proteína animal, além da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).
Segundo os palacianos, o objetivo é debater as medidas adotadas pelo Ministério da Agricultura até agora e os possíveis impactos do escândalo sobre as exportações de carnes brasileiras. O governo federal também deve divulgar uma nota para as embaixadas, na tentativa de esclarecer a amplitude do esquema de corrupção.
O Brasil é o segundo maior produtor de carne bovina do mundo e o maior exportador, fornecendo para mais de 150 países. As multinacionais envolvidas no escândalo insistem que seus produtos são seguros, apesar do receio entre o público consumidor.
O escândalo surge num momento bastante sensível, quando o Brasil e outros membros do Mercosul procuram um acordo de comércio com a União Europeia. A operação da Polícia Federal, Ministério Público e Receita Federal também pode abalar as relações comerciais com os Estados Unidos, que começaram a receber importações de carne crua brasileira no ano passado.
Segundo informações do Ministério da Agricultura, em 2016, o Brasil exportou mais de 1 milhão de toneladas de carne bovina. Os principais destinos foram Hong Kong, Egito, China e Rússia. Também foram exportados cerca de 3,9 milhões de toneladas de carne de frango in natura, cujos principais compradores foram Arábia Saudita, China, Japão, Emirados Árabes Unidos e Hong Kong. No mesmo ano foram abatidas 42,3 milhões de cabeças de suínos para os mercados interno e externo.
Para o New York Times, o episódio “lança dúvidas sobre a indústria brasileira do agronegócio”. O diário norte-americano ressaltou que o “partido do presidente Michel Temer” também é acusado de receber propinas.
A rede de televisão CNN relatou que “a notícia foi recebida com raiva e frustração no Brasil, que já está cambaleando com os escândalos de corrupção que afetam os mais altos escalões do governo”. O futuro da indústria de carne brasileira, que “ascendeu na última década para se tornar uma das mais importantes do mundo”, também foi questionado pelo Financial Times.
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