Como foi a sexta-feira em torno da equipe de transição

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Reunião do Conselho Político de Transição na sede da Gabinete de Transição de Governo, no CCBB, em Brasília/Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Houve muitas conversas, mas não aconteceu uma definição sobre os recursos e a PEC da Transição

Por Misto Brasília – DF

O presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, afirmou nesta sexta-feira (11) que é necessário ter um olho para o social, mas manter o equilíbrio fiscal. A fala foi feita em uma palestra para o CFA Society Brazil, sobre o cenário econômico mundial.

“Se não tiver equilíbrio fiscal, a gente volta para um mundo de incerteza onde a expectativa de inflação sobe, você desorganiza o setor produtivo no sentido de investimento, e no final quem sofre mais com isso é a população que você quer ajudar, porque você machuca a geração de emprego”, disse Campos Neto, segundo divulgou a CNN Brasil.



Após a palestra, Campos Neto foi perguntado sobre como o Banco Central trabalha com essa reação do mercado ao cenário político, e as mudanças do novo governo eleito. Segundo ele, os mercados ao nível mundial estão mais “sensíveis” às medidas de governo, por conta do tamanho das dívidas públicas.

O ex-ministro da Fazenda e integrante da equipe de transição do novo governo federal, Guido Mantega, classificou o teto de gastos como um “fracasso”.

“A âncora fiscal, o teto de gastos foi um fracasso. Como eu disse, Bolsonaro tem, aliás, o governo anterior, o governo Temer, ele também teve déficit primário em todos os anos. E foi ele que lançou esse texto de gastos. Então você veja: do ponto de vista fiscal é um fracasso, porque causaram uma estagnação na economia”, disse durante entrevista à GloboNews nesta sexta-feira.



Mantega defendeu ainda a implementação de uma âncora fiscal porque “o país tem que caminhar com o equilíbrio das contas públicas”, conforme a mídia.

O discurso do presidente eleito Lula da Silva (PT) na quinta-feira (10) que alarmou setores do mercado financeiro somado ao adiamento da divulgação do texto da chamada PEC da Transição nesta sexta-feira (11) fizeram aumentar a pressão para que o petista divulgue logo o nome de quem será o responsável por tocar a condução da economia em seu novo governo.

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Lula da Silva após o encontro que realizou com a equipe de transição no CCBB/Marcelo Camargo/Agência Brasil



Um nome para o Ministério da Fazenda/Economia

Para integrantes da transição e líderes do Congresso ouvidos pela CNN, a formalização de um nome para tocar a Economia poderia ajudar a acalmar o mercado e colocar alguém para ser “o rosto” da articulação da Proposta de Emenda à Constituição.

A medida também é defendida por senadores que farão oposição a Lula e que questionam “cheque em branco” que estaria contido na proposta para garantir o Auxílio Brasil/Bolsa Família de R$ 600.



O relator-geral do Orçamento, o senador Marcelo Castro (MDB-PI) diz que indicação de ministro da Economia/Fazenda seria “sinal importante para o mercado”, mas que não é o mais urgente do momento.

“O fundamental é aprovar a PEC. Há um clamor para que seja indicado um nome logo, mas ele precisa mais ser bem indicado do que indicado com urgência. Não pode errar”, afirmou.



Deputados e senadores petistas ouvidos pela CNN reclamaram do adiamento do texto da chamada “PEC da Transição”, a proposta de alteração da Constituição que o presidente eleito Lula da Silva (PT) trabalha para aprovar ainda neste ano, como forma de manter o pagamento do Auxílio Brasil/Bolsa Família de R$ 600 em 2023.

O adiamento foi anunciado pelo senador eleito Wellington Dias (PT-PI) perto das 11 horas, e o projeto deve ser apresentado apenas na próxima quarta (16). A decisão surpreendeu petistas consultados pela reportagem, que defendem o envolvimento de Lula na negociação do texto.

“O tempo é curto, os parlamentares que precisam aprovar o texto não são os que irão legislar em 2023 e estamos ‘no governo dos outros’”, afirmou um parlamentar que defende o envolvimento pessoal de Lula na articulação da medida.



Como reagiu o mercado financeiro

O dólar encerrou em queda de 1,24%, negociado a R$ 5,329, impactado pelo apetite por risco internacional e ajustes de posições após disparada da véspera, mas fechou a sessão bem longe das mínimas intradiárias e registrou sua semana mais forte em dois anos e meio, diante de temores persistentes sobre os gastos extra-teto que Lula da Silva busca viabilizar por meio da PEC da Transição.

Na quinta-feira (10), a moeda disparou mais de 4%, a R$ 5,396, na maior disparada percentual diária desde o salto de 4,86% registrado em 16 de março de 2020, em meio ao pânico dos mercados no início da pandemia de Covid-19, e o patamar de encerramento mais alto desde a cotação de R$ 5,549 de 22 de julho passado.



No acumulado da semana, a moeda norte-americana tem ganho acumulado de 5,49%, maior valorização semanal desde maio de 2020.

Ibovespa voltou a operar em alta em meio a uma nova enxurrada de resultados corporativos e encontrando um relevante suporte das ações da Vale e de outras empresas que se beneficiam com a alta do minério de ferro, embora persista o desconforto de investidores com sinalizações fiscais recentes do presidente-eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).


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