Pesquisa indica que 20% dos eleitores que não aderiram à polarização e não se veem representados por nenhum dos grupos
Uma pesquisa do Datafolha divulgada nesta quarta-feira (28) revela que cerca de um terço dos eleitores brasileiros (32%) se identifica como petista, enquanto um quarto (25%) se diz bolsonarista. Ao mesmo tempo, 20% se colocam em posição intermediária a esses dois grupos.
Esses percentuais sinalizam o acirramento da polarização do eleitorado brasileiro durante a campanha eleitoral deste ano, que resultou na vitória de Lula da Silva (PT) e impediu a reeleição de Jair Bolsonaro (PL).
O Datafolha estabeleceu uma escala de níveis 1 a 5, sendo que 1 significa ser bolsonarista e 5, petista. No nível 2, 7% de declararam mais próximos aos bolsonaristas, e no 4, 9% demonstraram inclinação ao petismo.
O ponto 3,que marca uma posição equidistante entre os dois extremos, foi escolhido por 20% dos eleitores que não aderiram à polarização e não se veem representados por nenhum dos grupos preponderantes. Essa neutralidade é adotada por 33% dos eleitores mais jovens, com idades entre 16 e 24 anos.
A análise dos estratos populacionais revela que 40% da população mais pobre se identifica como petista, contra 21% que se diz bolsonarista.
Diferenças entre camadas de renda
Assim como foi observado nas pesquisas de intenção de voto ao longo do ano, a curva das preferências do eleitorado se inverte nas camadas superiores de renda, menos populosas, que somam 30% de bolsonaristas contra 24% de petistas entre os que ganham de 2 a 5 salários mínimos; de 25% a 21% entre os que recebem 5 a 10 mínimos, e 40% a 13% entre os que ganham mais de 10 salários mínimos.
O Datafolha conclui que esses percentuais são representativos da polarização política que dividiu a sociedade brasileira, durante uma campanha eleitoral que inviabilizou candidaturas da chamada terceira via.
Lula obteve 50,9% dos votos válidos no segundo turno das eleições, contra 49,1% de Bolsonaro. A terceira colocada nas eleições, Simone Tebet (MDB), obteve apenas 4,1% dos votos, enquanto Ciro Gomes (PDT) teve 3%.
O Datafolha ouviu 2.026 pessoas em 126 cidades entre os dias 19 e 20 de dezembro. A pesquisa tem uma margem de erro de dois pontos para mais ou para menos.
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