Situação é tão grave que um a cada três funcionários estão com os seus salários comprometidos com empréstimos no BRB
Por Misto Brasília – DF
Metade de 45 mil servidores do governo do Distrito Federal com dívidas bancárias, deixam mais de 50% os seus salários todo mês no Banco de Brasília. É o superendividamento facilitado pelo empréstimo consignado. A situação ficou tão grave que o problema está sem solução para um de cada três servidores distritais.
Em alguns casos, a dívida ultrapassa a R$ 1 milhão. Muitos servidores venderam quase tudo para pagar a dívida, ou em casos mais graves, estão sem dinheiro para comprar comida ou ameaçados de despejo.
Os relatos dramáticos foram apresentados na audiência da comissão geral da Câmara Legislativa, realizada ontem (23). O governo distrital e o BRB não enviaram representantes para debater o assunto.
O Misto Brasília transmitiu ao vivo a sessão – confira na homepage do site
A maior queixa é contra o BRB, que se nega a encontrar uma solução. O banco detém o monopólio das contas de todos os 135 mil servidores. O volume de empréstimo do banco com os servidores estaria em torno de R$ 2 bilhões.
O deputado Gabriel Magno (PT), que sugeriu a audiência pública, observou que alguns fatores contribuíram para essa situação. Os oito anos sem reajustes para o funcionalismo, a diminuição salarial causada pelo aumento da contribuição previdenciária e os efeitos da pandemia.
O superendividamento com o Banco de Brasília é potencializada também por outros fatores, apontou a presidente da Caixa de Assistência e Benefícios ao Servidor do GDF (CABS), Elied Barbosa.
Os servidores com pendências são obrigados a arcar, ainda, com o cheque especial, cartões de crédito e juros de antecipações, dentre outras dívidas. No fim do mês, o salário fica praticamente comprometido.
“A gente tem pessoas nesse meio nosso que desistiram da vida, que morreram, que se suicidaram porque viviam oprimidas com as dívidas e envergonhadas”, lembrou. “Nós não precisamos ter essa vergonha”.
“Na Justiça não há solução. Precisamos de uma lei”, apontou o promotor do Núcleo de Defesa do Consumidor da Defensoria Pública do DF, Antônio Carlos Fontes.
A solução estaria no projeto de lei do Crédito Responsável. O deputado distrital Gabriel Magno propôs a aceleração da tramitação de outra proposta, o PL 2186/21, do deputado Chico Vigilante (PT), que impõe medidas para impedir o superendividamento do funcionalismo público.
“Queremos que o GDF use os recursos públicos para refinanciar as dívidas das pessoas que estão na situação de superendividamento, assim como faz com nos projetos de recuperação de crédito e de perdão de dívidas dos grandes empresários, o que é justo”, disse Gabriel.























