Interessante observar que as nomeações do presidente da República se deram após o alerta do presidente da Câmara
Por André César – SP
Aos poucos, a chamada “frente ampla” vai ganhando corpo e tomando forma. Atendendo demandas de aliados, o presidente Lula da Silva (PT) está liberando cargos de segundo e terceiro escalões. O objetivo é claro – barrar a instalação de uma CPI sobre os atos antidemocráticos de 8 de janeiro e conseguir votos para a extensa e complexa agenda governista. Quase um vale tudo.
A lista de contemplados é extensa. O problemático União Brasil, do notório ministro das Comunicações, Juscelino Filho, recebeu diretorias dos Correios, do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e do Dnocs.
As joias da coroa, porém, são as presidências da Telebrás e da Codevasf. Nada mal para um partido que não garante apoio integral ao Planalto.
O MDB, por sua vez, tem em mãos uma diretoria do Banco do Nordeste, uma vice-presidência da Caixa Econômica e quatro secretarias do ministério das Cidades, pasta com bom volume de recursos orçamentários. Os emedebistas consolidam sua presença no governo.
Interessante observar que as nomeações do presidente da República se deram após o alerta do comandante da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP/AL), que afirmou que o novo governo ainda não tem uma base minimamente sólida. De acordo com o parlamentar, não há votos hoje nem para aprovar uma simples medida provisória. Reforma tributária, então, nem pensar.
Assim, a manutenção do polêmico Juscelino Filho na Esplanada também se explica por essa realidade. Lula se rende aos fatos e, mesmo enfrentando críticas de setores do PT, trabalha para evitar ruídos com aliados não tão alinhados ao Planalto. Real politics colocada em prática, pragmatismo em estado puro.
É evidente que, dentro do amplo leque governista, as relações jamais serão harmônicas. Difícil imaginar a bancada do União Brasil sentada à mesa com, digamos, o deputado Guilherme Boulos (PSol-SP). Coisas da coalizão.
Enfim, o governo terá em breve seus primeiros testes em plenário. Somente nesse momento será aferido se as movimentações de Lula foram bem sucedidas.
























