Dos 29 países que são membros da Otan, inclusive a Turquia, apenas seis mantiveram a compulsoriedade
Por Misto Brasília – DF
Após a queda do Muro de Berlim e o fim da Guerra Fria, na década de 1990, o serviço militar obrigatório parecia estar a caminho da extinção na Europa. Ao longo dos últimos 20 anos, ou mesmo antes, ele foi, de fato, abolido na maioria dos países do continente europeu.
A Alemanha suspendeu o serviço militar em 2011, mas com a possibilidade de ser reintroduzido se o Bundestag (câmara baixa do parlamento) decidir que há necessidade de defesa, como estipulado na Lei Fundamental, de acordo com a Agência DW.
A situação é semelhante em muitos outros países europeus: dos 29 que são membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), inclusive a Turquia, apenas seis mantiveram a compulsoriedade, de 1993 para cá. O Reino Unido, Estados Unidos e Canadá têm forças armadas exclusivamente profissionais há mais de 50 anos.
No entanto a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia suscitou animados debates sobre a questão na Europa, com diversos Estados cogitando reintroduzir a obrigatoriedade e reforçar seus orçamentos de defesa.
A mídia informou que pouco após a anexação russa da Crimeia, em 2014, a Ucrânia reinstituiu o serviço militar compulsório para homens de 18 a 26 anos. A Lituânia seguiu o exemplo quatro anos depois, para aqueles entre 18 aos 25 anos de idade.

Letônia está considerando reintroduzir a obrigatoriedade do serviço militar, que os outros dois nunca suspenderam.
A partir de 2024, todos os homens de 18 a 27 anos deverão se submeter a 11 meses de treinamento militar. De 2028 em diante, 7.500 letões serão convocados por ano. Segundo a Otan, isso equivale ao total dos soldados profissionais do país em 2022.
A primeira tentativa de reinstituir na Romênia o serviço militar compulsório, em 2015, falhou, mas no segundo trimestre de 2023 o primeiro-ministro Nicolae Ciuca, general da reserva, manifestou-se em favor da medida.
Num projeto de lei divulgado em 2022, o Ministério romeno da Defesa propõe que, em caso de mobilização geral, todos os cidadãos em idade de alistamento vivendo no exterior se apresentem para o serviço militar num prazo de 15 dias.
As Forças Armadas da Holanda apresentam atualmente um déficit de 9 mil soldados, e o governo considera incrementar o contingente impondo o serviço militar obrigatório, como faz a Suécia desde 2018.
Na Noruega, só cerca de 9 mil dos 60 mil candidatos anuais são convocados para servir por 19 meses. Segundo fontes oficiais, na Noruega o serviço conta com nível de prestígio comparável ao da educação superior, devido ao rigor do processo de seleção.
A Dinamarca também mantém o serviço militar compulsório, mas há suficientes voluntários para preencher a demanda nacional.


