Ele presta depoimento na Câmara Legislativa sobre os atos violentos que acabou na invasão dos três Poderes
Por Misto Brasília – DF
O ex-secretário da Segurança Pública e ex-ministro da Justiça e Segurança, Anderson Torres, está depondo hoje na CPI dos Atos Antidemocráticos na Câmara Legislativa. Ele negou que tenha contribuído para as manifestações do dia 8 de janeiro, mas disse que a Polícia Militar falhou na execução do Protocolo de Ações Integradas (PAI) dos prédios e no isolamento da Esplanada dos Ministérios.
“O detalhe ai é o isolamento da Praça dos Três pessoas, para pessoas e veículos. Eu deixei isso assinado antes da minha viagem”, garantiu. “Esse PAI [Protocolo de Ações Integradas] deveria ser suficiente para ser cumprido”.
Num depoimento prestado na CPI no dia 2 de março, o ex-secretário-executivo, indicado por Torres, Fernando Oliveira, já tinha afirmado sobre essa falha.
Sobre a “guerra entre coronéis” que não queriam um determinado oficial para assumir o comando da Polícia Militar, disse que “não teve informações oficiais, não soube disso, infelizmente”.
Na leitura que fez antes de responder às perguntas dos deputados distritais, disse que está disposto a “colaborar para esclarecer os atos repugnantes do dia 8 de janeiro”. Afirmou que não recebeu alerta sobre a situação crítica provocada pelos bolsonaristas antes de sua viagem de férias para os Estados Unidos.
Anderson Torres garantiu que a sua viagem de férias estava programada desde novembro e que comprou as passagens no dia 21 de novembro de 2022. Disse que combinou com o governador Ibaneis Rocha (MDB) as suas férias, que aconteceria alguns dias após assumir a Secretaria de Segurança Pública no dia 1º de janeiro de 2023.
Quando começou a responder as primeiras perguntas do presidente da CPI, deputado distrital Chico Vigilante (PT), confirmou que agentes federais foram expulsos do acampamento na entrada do quartel general do Exército. E que a saída dos agentes que faziam levantamento do local teve a colaboração de soldados da Força.
“A situação era muito delicada”, afirmou.
Sobre os bloqueios de rodovias que aconteceram logo após o resultado das eleições do segundo turno, a Polícia Rodoviária Federal não deixou de cumprir suas ordens. “Foram atos criminosos”. Segundo ele, a munição não-letal na PRF acabou, o que na opinião do ex-ministro é uma prova da tentativa de desbloquear rodovias “sem violência, sem ferir ou matar ninguém”.
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