Dólar à vista continua forte e fechou a quarta-feira a R$ 6,2657 

Ministro da Fazenda Fernando Haddad entrevista Misto Brasil
Ministro Fernando Haddad fala em cortar e diminuir gastos/Arquivo
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No cenário doméstico, o risco de desidratação do pacote fiscal durante a tramitação no Congresso Nacional seguiu pressionando os ativos locais

Por Misto Brasil – DF

Em mais um dia de recordes, o dólar à vista estendeu o ritmo de forte ganhos com o aumento das incertezas sobre o cenário fiscal e a decisão sobre juros nos Estados Unidos.

Na comparação com o real, a moeda norte-americana encerrou as negociações a R$ 6,2657 (+2,78%) — e renovou o maior nível de fechamento da história pela terceira sessão consecutiva. O recorde anterior foi atingido na véspera, quando o dólar fechou a R$ 6,0961.

A moeda também bateu a máxima intradia desde a criação do real, em 1994, ao alcançar R$ 6,2707, anotou o InfoMoney.

O desempenho acompanhou a tendência vista no exterior. O indicador DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, subiu aproximadamente 1,08%, aos 108.036 pontos — em reação à decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed).

No cenário doméstico, o risco de desidratação do pacote fiscal durante a tramitação no Congresso Nacional seguiu pressionando os ativos locais.

Ontem (17), a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base do projeto que impõe travas para o crescimento de despesas com pessoal e incentivos tributários no caso de déficit primário — o Projeto de Lei Complementar 210, que faz parte do pacote fiscal.

Os projetos que tratam da reforma tributária e do Orçamento de 2025 também foram aprovados.

Segundo o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), os outros dois textos que compõem o pacote do governo — um projeto de lei e um projeto de emenda à Constituição (PEC) — ainda devem ser analisados pelo plenário.

Após recordes sucessivos de fechamento, o dólar deverá se acomodar em breve, disse nesta quarta-feira (18) o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ressaltando o caráter flutuante do câmbio, o ministro não descartou que um ataque especulativo esteja por trás da desvalorização recente do real.

“Nós temos um câmbio flutuante e, neste momento em que as coisas estão pendentes, tem um clima de incerteza que faz o câmbio flutuar. Mas eu acredito que ele vai se acomodar”, disse Haddad ao sair do ministério para uma reunião com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Por volta das 15h, a moeda norte-americana estava cotada a R$ 6,20.

Segundo Haddad, as principais instituições financeiras têm estimativas melhores para a economia que as dos operadores de mercado. “Até aqui, nas conversas com as grandes instituições, as previsões são melhores do que os especuladores estão fazendo. Mas, enfim, o câmbio flutua”, acrescentou o ministro.

O ministro lembrou que o Banco Central tem intervindo para vender dólares e que o Tesouro Nacional suspendeu os leilões tradicionais de títulos da dívida pública para fazer leilões de troca e recompra de papéis até sexta-feira (20). Ele não descartou a possibilidade de ataque especulativo coordenado, diante dos juros recordes no mercado futuro e da disparada do dólar. (Com a Agência Brasil e MoneyTimes)

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