Trata-se do estado larval de um besouro denominado tenébrio ou bicho-da-farinha, pulverizado – nada de vermes, lagartas inteiras ou grilos fritos
Por Misto Brasil – DF
Muita gente perde o apetite só de pensar em lagartas na comida. Essa reação é o que os cientistas denominam “tabu alimentar”: certos animais, plantas ou fungos comestíveis são declarados inaceitáveis no contexto de um determinado espaço cultural ou grupo social, e portanto não são consumidos.
Hindus praticantes não comem carne bovina, muçulmanos e judeus rejeitam carne suína; e nas culturas de fundo ocidental muitos têm asco de insetos, anotou a DW.
No entanto eles são elemento integrante da alimentação para cerca de 2 bilhões de seres humanos, sobretudo em partes da África, Ásia, América Central e do Sul, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
Ao todo, mais de 2 mil espécies de insetos são consideradas comestíveis.
Agora, pela primeira vez, será possível na União Europeia incluir farinha feita com larvas em alimentos para consumo humano. Trata-se do estado larval do besouro Tenebrio molitor, também denominado tenébrio ou bicho-da-farinha, pulverizado – nada de vermes, lagartas inteiras ou grilos fritos.
A farinha de alto teor proteico poderá ser adicionada em pequenas quantidades a pães, bolos e similares, macarrões e produtos processados de batata ou queijo. O Departamento Federal de Proteção do Consumidor e Segurança Alimentar (BVL) da Alemanha assegura que as larvas-da-farinha não representam riscos para a saúde – caso contrário não teriam sido liberadas para comercialização.
Para cada inseto adicionado a seus produtos, os fabricantes devem requerer uma licença no âmbito da portaria para “Novel Food”. Em seguida, a Autoridade Europeia para Segurança Alimentar (EFSA) realiza uma avaliação científica exaustiva.
As quantidades máximas de farinha de larvas são modestas: em pães e bolos, só são permitidos quatro gramas para cada 100 gramas do produto final; em queijo, não mais de um grama. A irradiação com raios ultravioleta elimina eventuais patógenos, além de elevar a taxa de vitamina D3 no pó.
As larvas do besouro tenébrio contêm nutrientes importantes como ferro, zinco e vitaminas do complexo B. A farinha recém-liberada tem um conteúdo proteico de 50% a 55%, incluindo todos os nove aminoácidos essenciais, gorduras saudáveis e fibras alimentares.
Além disso, a produção da farinha de larvas é menos danosa ao clima do que a de fontes de proteína tradicionais, como vacas, porcos ou galinhas. Os insetos requerem menos água, ração e espaço, além de emitir menos gases do efeito estufa.
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