Deputados distritais se encontraram hoje a portas fechadas, por três horas, com o presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa
Por Misto Brasil – DF
Na primeira reunião entre os deputados distritais e o presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foi fechada para o público e para a Imprensa. A justificativa é que “números sensíveis” poderiam prejudicar os negócios do banco estatal.
Terminada a reunião, depois de três horas, no início da noite de hoje (07) ficaram mais dúvidas do que certezas sobre a proposta de compra do Banco Master.
Na opinião de muita gente, é uma instituição financeira que se aproximada de uma pirâmide.
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Um novo encontro sugerido pela deputada Paula Belmonte (Cidadania) não foi agendada. O Banco Master entrou no jogo financeiro apenas em 2019.
O patrimônio líquido do banco passou, em cinco anos, de R$ 219 milhões para R$ 5 bilhões, de acordo com o balanço da instituição.
O crescimento foi calcado em operações de risco consideradas fora dos padrões do sistema financeiro, segundo uma reportagem da revista Piauí.
O Master, porém, oferece o seu CDB a uma taxa de até 130% do CDI, muito acima da praticada no mercado.
O que mais chama a atenção é o fato de o banco ter colocado na praça R$ 40 bilhões em CDBs, também segundo o seu balanço. É um valor assombroso para uma instituição classificada pelo Banco Central como S3 – um banco pequeno.
Em 2019, o Master tinha R$ 2,5 bilhões em CDBs emitidos. Em 2022, já eram R$ 17,4 bilhões. Em 2024, alcançou os R$ 40 bilhões.
“Dizer que o banco está alavancado porque emite muito CDB? Isso é gente sem informação. É só o cara ligar para o Banco Central e perguntar. Eu não tenho nada a temer”, diz Daniel Bueno Vorcaro, o presidente do Banco Master, na mesma reportagem da revista.
Ameaça de judicialização
Enquanto a oposição diz que é necessário que o negócio passe por autorização da Câmara Legislativa, o governo do Distrito Federal, a direção do BRB e o líder da base governista, deputado distrital Hermeto (MDB), a compra é legítima e não depende da CLDF.
O deputado distrital Fábio Félix (PSol) discorda. Ele disse que se o assunto não passar pela Câmara Legislativa é possível que o negócio seja judicializado.
A operação é estimada em R$ 2 bilhões, mas depende também de autorização do Banco Central e do Conselho Administrativo de Desenvolvimento Econômico (Cade).
“O BRB detém uma carteira de pagamentos milionária, que é dos servidores públicos. Se algo de errado acontecer, quem paga o pato é o cidadão brasiliense”, observou Paula Belmonte.
Ela defende que Paulo Henrique retorne à Casa para prestar novos esclarecimentos em uma sessão aberta ao público.
A proposta de o BRB assumir a gestão do Banco Master levanta preocupações entre os distritais. Paula reforça a necessidade de total transparência em um processo que envolve recursos públicos e pode afetar diretamente a população.


