Multinacionais anunciaram vendas de ativos na Argentina

Argentina presidente Javier Milei Misto Brasil
Javier Milei venceu neste domingo nas eleições legislativas/Arquivo/Gov Argentino
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A preocupação com um possível “êxodo” de empresas internacionais da Argentina ganhou força entre grandes marcas

Por Misto Brasil – DF

Várias empresas multinacionais anunciaram que estão vendendo seus ativos na Argentina ou saindo diretamente do mercado.

Especialistas ouvidos pela Agência Sputnik destacaram que, embora o fenômeno não tenha começado com Javier Milei, o atual presidente não está conseguindo conter a “crise política” que alimenta a desconfiança.

A preocupação com um possível “êxodo” de empresas internacionais da Argentina ganhou força com o anúncios de empresas por trás de marcas reconhecidas como Mercedes-Benz, Clorox, Carrefour e Telefónica de que deixarão o mercado argentino.

Embora muitas dessas empresas estejam, na verdade, transferindo seus ativos para outros conglomerados que continuarão representando suas marcas, a ideia de que multinacionais considerem que o mercado argentino já não é tão atrativo gerou apreensão entre analistas e veículos especializados.

Nem mesmo o megacampo de Vaca Muerta — a grande aposta energética do país sul-americano — parece escapar: nos últimos meses, empresas como a francesa TotalEnergies anunciaram sua saída, assim como outros importantes atores do setor energético, como ExxonMobil, Enap Sipetrol e Petronas.

“Argentina é um país com uma presença fortíssima de capital externo. Segundo o próprio Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos), dois terços das 500 maiores empresas são estrangeiras. Agora, é verdade que há um fenômeno de retirada de empresas transnacionais da Argentina”, reconheceu o economista Julio Gambina em entrevista à Sputnik.

O acadêmico esclareceu, no entanto, que se trata de um processo “que não começou com o governo de Javier Milei” e que já vinha ocorrendo nas gestões de Alberto Fernández (2019–2023) e Mauricio Macri (2015–2019).

Também ouvida pela Sputnik, a economista-chefe da Epyca Consultores, Florencia Fiorentin, apontou que “é natural que empresas entrem e saiam”, e que “um indicador tão específico” como o número de companhias que deixaram o país no último ano pode não ser suficiente para tirar conclusões sobre o rumo da economia.

Ela acrescentou ainda que o número de empresas que deixaram o país durante a gestão de Milei ainda é menor do que o registrado nas administrações anteriores.

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