Como fica o centrão com o tarifaço?

Senador Ciro Nogueira entrevista Misto Brasil
Senador Ciro Nogueira durante entrevista após palestra no Lide Brasília/Arquivo/Reprodução vídeo
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Difícil separar os atores ainda que as declarações dos caciques de partidos que se aliaram a Bolsonaro estejam divididas

Por Misto Brasil – DF

Faltando cerca de um ano para o início da campanha eleitoral, o momento político brasileiro apresenta deslocamentos e atritos em estruturas até então consolidadas. Embora articulados, em alguns casos, o “bolsonarismo” e o “centrão” parecem não falar mais a mesma língua.

“É muito difícil hoje pensar em afastamento do bolsonarismo e do centrão, porque o centrão, em grande parte, ele é bolsonarista, ou pelo menos surfou muito no bolsonarismo nos últimos anos”.

A frase é do professor da Escola de Ciência Política da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), André Luiz Coelho, em deflaração à Agência Sputnik.

“A grande maioria do que se é convencionado chamar de centrão na verdade são deputados e senadores de direita, então muito mais ligados ao bolsonarismo do que ao campo progressista”.

Como destaca o analista, é difícil separar os atores ainda que as declarações públicas dos caciques de partidos que se aliaram a Bolsonaro estejam divididas. Por um lado, Ciro Nogueira, senador e presidente do Progressistas (PP) lamentou o fato do ex-presidente Jair Bolsonaro ter de usar uma tornozeleira eletrônica.

Pelo outro, não falou muito após isso e tampouco apoiou em suas redes sociais as ações de Eduardo Bolsonaro nos EUA, apesar de tecer várias críticas ao presidente Lula da Silva.

Em compensação, outros líderes como Gilberto Kassab, presidente do Partido Social Democrático (PSD); Antonio Rueda, presidente do União Brasil; Marcos Pereira, presidente do Republicanos e Baleia Rossi, presidente do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), não fizeram qualquer menção nas redes sociais aos acontecimentos que envolvem o clã Bolsonaro nas últimas semanas.

Inelegível, o ex-presidente vê, inclusive, nomes como o governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e o governador de Goiás Ronaldo Caiado (União Brasil), se colocaram como pré-candidatos à presidência nas eleições de 2026.

Alternativas dentro da própria família de Jair Bolsonaro também são citados como herdeiros do espólio do ex-presidente, que mantém um percentual importante de base fiel ao seu nome.

Segundo Coelho, Eduardo, seu terceiro filho, tenta trabalhar essa viabilidade, mas há incerteza, inclusive, se ele volta para o Brasil. O analista aponta também o nome da esposa de Jair, Michelle Bolsonaro, como cotada.

“A Michele assumiu algumas agendas dele, isso pode significar uma maior visibilidade para ela e é uma possibilidade bem concreta”, afirma. Não tendo ninguém da família na disputa, o nome seria Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, nota o analista.

Apesar de faltar cerca de um ano para o início da campanha eleitoral, prevista para agosto do ano que vem, a cena política é dinâmica e, conforme ressalta Coelho, a análise é feita sobre o momento atual.

Porém, em relação ao Legislativo, ele sugere que “olhar especialmente o Hugo Motta nos próximos meses e semanas pode ser um bom indicativo de onde o centrão vai se colocar”.

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