Enquanto isso, entre ontem e hoje, os clientes do banco estatal sacaram R$ 400 milhões em investimentos por conta da operação Compliance Zero
Por Misto Brasil – DF
Um dia depois de anunciar Celso Eloi para o comando do BRB, o governador do DF, Ibaneis Rocha, mudou a indicação para Nelson Antônio de Souza, ex-presidente da Caixa Econômica Federal.
Servidor da instituição financeira, Souza assumiu a presidência da Caixa em 2018, durante a gestão de Michel Temer (MDB), informa o Metrópoles.
As trocas no BRB ocorrem após a Operação Compliance Zero, deflagrada na terça-feira (18), causar o afastamento do presidente, Paulo Henrique Costa, e do diretor financeiro, Dario Oswaldo Garcia Júnior.
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Desde segunda-feira (17), clientes do BRB resgataram cerca de R$ 400 milhões em investimentos, em meio ao impacto da operação Compliance Zero, que resultou no afastamento do então presidente Paulo Henrique Costa.
Como apurado pelo portal Vero Notícias, o alto fluxo de saques se mantém constante desde o início da semana, refletindo uma possível corrida bancária diante da reação de parte dos investidores ao cenário de instabilidade.
Se o ritmo continuar, os resgates, apurou a reportagem, podem alcançar R$ 1 bilhão até o fim da semana, segundo estimativas preliminares avaliadas pela diretoria do BRB.
O BRB informou nesta quarta-feira (19) que seu conselho decidiu, na noite anterior, contratar uma empresa independente para revisar e investigar os pontos levantados pela operação Compliance Zero, da Polícia Federal,de acordo com o g1.
“O BRB reafirma seu compromisso com as melhores práticas de governança, transparência e prestação de informações ao mercado, e que o conselho de administração seguirá acompanhando de forma contínua os desdobramentos dos fatos, mantendo seus acionistas e o mercado devidamente informados”.
A liquidação do Banco Master vai provocar perdas para 18 entidades de previdência de estados e municípios. Ao todo, esses fundos previdenciários aplicaram R$ 1,876 bilhão em letras financeiras do Banco Master entre outubro de 2023 e dezembro de 2024.
O Rioprevidência, que faz o pagamento de aposentadorias e pensões de servidores do Estado do Rio, responde por mais da metade do volume investido, segundo O Globo.
Em todos os casos, as aplicações foram feitas em letras financeiras, título que não tem cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mecanismo que ressarce as perdas de investidores em caso de crises bancárias.
Apesar de essas entidades previdenciárias serem conhecidas como fundos de pensão, do ponto de vista legal elas operam sob o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). Ou seja, a supervisão dessas entidades é de responsabilidade do Ministério da Previdência, além dos tribunais de contas municipais e estaduais.
Confira a lista:
- Estado do Rio de Janeiro (RJ) — R$ 970 milhões
- Estado do Amapá (AP) — R$ 400 milhões
- Maceió (AL) — R$ 97 milhões
- Cajamar (SP) — R$ 87 milhões
- São Roque (SP) — R$ 93,15 milhões
- Itaguaí (RJ) — R$ 59,6 milhões
- Estado do Amazonas (AM) — R$ 50 milhões
- Aparecida de Goiânia (GO) — R$ 40 milhões
- Araras (SP) — R$ 29 milhões
- Congonhas (MG) — R$ 14 milhões
- Fátima do Sul (MS) — R$ 7 milhões
- Santo Antônio de Posse (SP) — R$ 7 milhões
- São Gabriel do Oeste (MS) — R$ 3 milhões
- Paulista (PE) — R$ 3 milhões
- Jateí (MS) — R$ 2,5 milhões
- Angélica (MS) — R$ 2 milhões
- Santa Rita D’Oeste (SP) — R$ 2 milhões
- Campo Grande (MS) — R$ 1,2 milhão


