Não se trata de escolher entre “esquerda” ou “direita”, mas de adotar o que funciona, pautado em evidências, na realidade do crime organizado
Por Alex Galvão – DF
O debate sobre segurança pública no Brasil, frequentemente, assemelha-se a um campo de batalha ideológico onde as reais necessidades da população e dos profissionais envolvidos ficam em segundo plano.
Em vez de avançarmos em busca de soluções concretas, somos repetidamente arrastados para um embate de narrativas que, ao invés de iluminar caminhos, apenas obscurecem a urgência de agir.
De um lado, a insistência em abordagens que por vezes negligenciam a complexidade do fenômeno criminal, reduzindo-o a uma questão meramente punitiva, sem considerar as causas sociais, a necessidade de inteligência estratégica e a importância da valorização humana.
De outro, uma retórica que, ao focar excessivamente nas garantias individuais (essenciais, sem dúvida), pode acabar por minimizar o sofrimento das vítimas e a sobrecarga imposta a quem está na linha de frente, sem propor mecanismos eficazes de contenção da criminalidade e de proteção social.
Ambas as perspectivas, quando levadas ao extremo e descoladas da realidade, tornam-se obstáculos intransponíveis para a construção de um sistema de segurança eficaz e justo.
A verdade é que a segurança pública não pode ser refém de falácias ou de preocupações com o viés ideológico. Não se trata de escolher entre “esquerda” ou “direita”, mas de adotar o que funciona, pautado em evidências, na realidade do crime organizado e na dignidade humana.
O foco deve ser a proteção do cidadão de bem, que não pode continuar pagando o preço da falência de um Estado que se mostra ineficaz tanto na prevenção quanto na repressão ao crime.
Precisamos, urgentemente, de soluções que passem pela valorização policial. Não é possível exigir dos nossos agentes de segurança que arrisquem suas vidas diariamente sem o devido reconhecimento e suporte.
Isso significa ir além dos discursos e se traduzir em:
• Treinamento contínuo e especializado: Capacitação para lidar com a complexidade do cenário criminal, incluindo novas tecnologias, técnicas de inteligência, direitos humanos e resolução de conflitos.
• Condições de trabalho dignas: Equipamentos modernos e funcionais, viaturas em bom estado, infraestrutura adequada nas delegacias e batalhões, e a garantia de segurança para o exercício da profissão.
• Remuneração justa e plano de carreira estruturado: Que reflita o risco e a importância do seu trabalho, oferecendo perspectiva e estabilidade.
• Apoio psicossocial: Programas eficazes de saúde mental para policiais, que enfrentam traumas e estresse constantes.
• Apoio às famílias: Garantia de direitos e benefícios, como pensão integral, para que o sacrifício do profissional não resulte no desamparo de seus entes queridos.
• Investimento em inteligência: Armazenamento e análise de dados, monitoramento e estratégias que permitam desmantelar o crime organizado de forma cirúrgica, reduzindo a necessidade de confrontos diretos que vitimam tanto criminosos quanto policiais e civis inocentes.
O Estado tem o dever primordial de proteger sua população. Para isso, precisa deixar de lado a retórica estéril e investir no fortalecimento de suas instituições, fornecendo aos seus agentes as ferramentas e o reconhecimento necessários para exercerem sua função com excelência.
Somente assim poderemos construir uma sociedade mais segura, onde o cidadão de bem não seja a principal vítima da inoperância e da miopia ideológica.
(Alex Galvão é diretor Parlamentar da Confederação Brasileira dos Trabalhadores Policiais Civis, Cobrapol)























