BRB, Banco Master e as ligações perigosas

Banco de Brasília prédio DF Misto Brasília
Vista do prédio do BRB na área central de Brasília/Arquivo/Divulgação
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Os primeiros capítulos começaram no dia 29 de março, quando o banco BRB anunciou a compra do controle do Banco Master por R$ 2 bilhões

Por Charles Machado – SC

Quando algo parece suspeito, quase sempre tem muito ainda por se descobrir, e é esse o caso das relações entre o BRB, um banco público, e o Banco Master, que se entrelaçam em um enredo que bem poderia ser uma série de TV.

Os primeiros capítulos dessa série começaram no dia 29 de março, quando o banco BRB anunciou a compra do controle do Banco Master, por R$ 2 bilhões, abrindo no mercado uma série de questionamentos, afinal se a Administração Pública se move por motivação, qual seria o motivo para justificar tal aquisição, com tantas Fintechs bem mais baratas e populares?

Passados cinco meses de análises o Banco Central(BC), não aprovou a aquisição do controle do Master pelo BRB, o que era apenas o início de um grande escândalo financeiro que estava por surgir.

Leia: Nelson Souza é empossado presidente do BRB

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Agindo com a motivação que a administração, seja ela direta ou indireta deve ter, e com a transparência que os atos administrativos precisam ter o BC, reprovou a aquisição, ao perceber nela a ponta de um iceberg, com uma evidente contaminação do BRB, pelos ativos “podres” do Master.

Um pouco depois, no dia 18 de novembro uma operação da Polícia Federal foi deflagrada, com o propósito de apurar diversos crimes ocorridos na gestão do Banco Master, que acabaram resultando no afastamento de Paulo Henrique Costa, do cargo de presidente do BRB.

A ordem de afastamento foi proferida pela Justiça Federal de Brasília, que também autorizou o cumprimento de busca e apreensão contra o presidente do banco estatal do governo do Distrito Federal, lembrando que os investigadores chegaram a solicitar a prisão do ex-presidente do BRB, pedido que na ocasião foi negado pela Justiça.

Na investigação, a PF apurou a realização de possíveis crimes na operação de venda do banco Master para o BRB, pois de acordo com investigadores, o Master criou carteiras de crédito falsas e as vendeu para o banco público, sem garantias para o negócio.

Operações estas que aparentemente não levantaram nenhuma suspeita na área de compliance do BRB, o que leva-nos a pensar qual seria o real proposito da hipotética aquisição do banco de Daniel Vorcaro pelo BRB?

Para muitos, a operação financeira foi vista como uma forma de socorro do Master por parte do BRB, um banco público, o que precisa ser evidenciado ao longo do processo.

Aparentemente, ainda que sob o olhar do Banco Central (BC), que acompanhava de perto a oferta de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), as duas instituições aprofundaram supostas fraudes que praticavam, segundo investigação da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF), a partir de denúncias feitas pelo BC.

Ou seja, em que pese todo o despropósito público, os hoje réus continuavam na prática delituosa das condutas criminais.

Justificativas e crédito podre

Quando a 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal autorizou as buscas, apreensões e prisões na denominada “Operação Compliance Zero”, o que não faltavam eram provas daquele que caminha para dar número ao maior escândalo de uma instituição financeira brasileira, como e por quais razões a área de controle adquiriu esses títulos podres?

Considerando o trabalho de due dilligence que normalmente é feito para uma aquisição, como auditorias, e consultorias jurídicas não evidenciaram esses números que se não houvesse a negativa do Banco Central estariam dormindo nos balanços do BRB?

As notas públicas do BRB que afirmam que “sempre atuou em conformidade com as normas de compliance e transparência, prestando regularmente informações ao Ministério Público Federal e ao Banco Central do Brasil sobre todas as operações relacionadas ao Banco Master”, parecem cair no vazio depois que tais informações decorrem de medida judicial, e mais ainda quando vem a público todo o entrelaçamento político partidário dessas duas instituições, BRB e Banco Master.

Em sua defesa, o afastado presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, disse que identificou, no primeiro quadrimestre, divergências documentais em parte das operações, comunicou o fato ao Banco Central e promoveu, em sua grande maioria, a substituição dessas carteiras. Fato que ocorreu apenas depois de ter manifestado a solicitação de aquisição de controle, e que curiosamente, em nenhum momento fez o BRB desistir da aquisição, sim, não bastaram as desconfianças, foi necessário a negativa do BC para aquisição.

Sabidamente toda investigação conduzida pelas autoridades competentes é legítima, necessária e positiva para o fortalecimento das instituições e para assegurar a transparência no sistema financeiro.

É fundamental atuar com transparência e dentro da mais estrita legalidade em todas as esferas da administração pública, ainda que as aquisições de carteiras sejam tradicionais do mercado financeiro, em nenhum momento se fala na aquisição de créditos podres, o que sempre os leva com desconto de face.

A investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal mostrou que o BRB transferiu cerca de R$ 12,2 bilhões ao Master no primeiro semestre de 2025 para a compra de carteiras de crédito do Master, antes mesmo de formalizar proposta para compra de fatia no banco, em março passado.

Ou seja,  considerando que iria fazer a aquisição, o BRB ainda engordou o caixa do Master comprando títulos podres, e logo nos termos da decisão judicial, é razoável considerar a hipótese de que o BRB tivesse interesse em emprestar recursos ao Master, mas que foi impedido por limites de exposição.

E “a troca de créditos entre BRB e Master ocorreu por pura camaradagem”, à margem das formalidades contratuais, numa tentativa de minimizar ou contornar a fiscalização.

Quando o Banco Central analisou o negócio, constatou indícios de que essas carteiras de crédito eram falsas. Segundo as investigações, foram produzidos documentos com data de 2024, mas a assinatura eletrônica era de abril e maio deste ano, período no qual o BC pediu informações sobre as transferências de recursos do BRB para o Master. Nesses documentos falsos, foram usadas informações de duas associações ligadas a Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master, que também foi preso.

O objetivo seria simular a existência de carteiras de crédito consignado bilionárias.

Troca de créditos ocorreu antes mesmo de proposta do BRB pelo Master Depois que o BC rejeitou o negócio de compra do Master pelo BRB, em setembro, os investigadores detectaram que o banco público do Distrito Federal continuou transferindo recursos para a instituição de Vorcaro.

Por isso, a justiça entendeu que os crimes continuavam em andamento e logo justificavam a prisão preventiva do banqueiro. Fica evidente as ligações perigosas entre as instituições e seus diretores, e quem vai pagar a conta no BRB?

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