O dilema dos tucanos

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Na tentativa de voltar ao poder há 16 anos e há quatro eleições presidenciais desde 2002, sempre numa disputa antagônica com o PT, o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, chega à disputa eleitoral deste ano com tantos percalços quanto os enfrentados por seus opositores do campo da esquerda.

A Operação Lava Jato dilapidou boa parte do capital político da legenda, assim como da maioria dos partidos políticos brasileiros.

Se em 2014 o senador Aécio Neves (PSDB-MG) conquistou o voto de quase 51 milhões de brasileiros, no melhor resultado obtido pelos tucanos desde a primeira eleição de Lula da Silva (PT), em 2002, agora em 2018 o mineiro talvez nem ouse se candidatar para o Senado, por temer a derrota, e estuda uma candidatura a deputado federal por Minas Gerais.

A tímida colocação de Geraldo Alckmin, nas pesquisas de intenção de voto até o momento provoca receio interno, apesar de o governador de São Paulo ser um rosto bastante conhecido entre o eleitorado e de ter baixa rejeição (26%).

Alckmin disputou a Presidência em 2006 e é conhecido por 85% da população, de acordo com sondagens feitas pelo instituto Datafolha. Em estimativas do mesmo instituto, de janeiro deste ano, Alckmin atinge 11% das intenções de voto em seu melhor desempenho, isso sem o ex-presidente Lula da Silva (PT) na disputa.

Para o tesoureiro nacional do PSDB, o deputado federal Sílvio Torres, um dos principais aliados de Alckmin, o cenário da eleição deste ano é totalmente peculiar. Além da Lava Jato, pondera ele, o Brasil viveu um impeachment presidencial em 2016 e o atual governo de Michel Temer (MDB) é um dos mais impopulares desde a redemocratização.

Torres enfatiza que, segundo as últimas pesquisas eleitorais, mais de 60% dos brasileiros manifestaram o interesse de anular o voto ou se recusam a escolher um candidato no momento. “Há um claro afastamento do eleitor da vontade de votar, com tudo isso. Olhando as pesquisas agora, é clara a impressão de que o quadro atual não será o quadro real de setembro. O PSDB sofre os efeitos de tudo isso, como todos os partidos”, admite Torres.

“Alckmin é uma candidatura consolidada no PSDB, que adquiriu a unanimidade no partido. Ele não fez, até agora, nenhuma ação de caráter eleitoral. O governador é um legalista, respeitador das leis. Ele não está autorizado a fazer isso, até que deixe o governo de São Paulo, em 7 de abril”, afirmou o líder do PSDB no Senado, Paulo Bauer (SC).

Obstáculos – O PSDB vai enfrentar outras situações adversas, diferentes dos pleitos anteriores. Até o momento, o DEM, aliado tradicional do partido, que fez parte dos governos Fernando Henrique – o antigo PFL –, lançou uma candidatura própria, a do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (RJ). Os tucanos preferem acreditar que, mais adiante, o DEM vai recuar e deve se unir à chapa do PSDB. Os políticos do DEM, por ora, rechaçam a ideia. O presidente nacional da sigla, o prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto, afirma que o PSDB não é um partido inimigo, mas que não há hipótese de se discutir uma aliança neste momento.

Outra encrenca é uma possível candidatura do MDB, o antigo PMDB, que mudou recentemente o nome. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, era apontado como uma possibilidade de candidatura. Meirelles hoje está no PSD, mas sua migração para o MDB é incerta. A questão crucial, para os tucanos, é que candidaturas de centro-direita podem fragmentar o eleitorado tradicional do PSDB. O senador Álvaro Dias, do Podemos, será candidato a presidente. Ex-tucano, do Paraná, Dias tem boa popularidade em seu estado. A região Sul do Brasil é tradicionalmente um reduto de votos aos tucanos, o que poderá ser abalado neste pleito. “Em 2006, Alckmin fez 65% dos votos em Santa Catarina. Fará de novo”, afirmou o senador Bauer, do estado.

A esperança do PSDB é que ainda seja possível, dentro de três meses, atrair o DEM e o MDB para o entorno de Alckmin. “Acho que haverá uma decantação natural”, afirmou Sílvio Torres. Mesmo sem o DEM, o PSDB diz que já está formada uma aliança eleitoral forte que lhe garantirá um quarto do tempo de televisão para propaganda. “É um patamar seguro”, enfatiza o tesoureiro. (Da DW)

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