O banqueiro e seus aliados eram um dos principais acionistas do banco estatal do DF com quem negociavam carteiras podres
Por Misto Brasília – DF
A Polícia Federal recebeu um relatório concluído na semana passada por auditores contratados pelo Banco de Brasília (BRB). O documento confirma que o banqueiro Daniel Vorcaro e pessoas próximas a ele tinham até 15% das ações do BRB.
Como se sabe, o Banco de Brasília fez um negócio de compra do Banco Master, que pertence ao banqueiro, e só não foi pra frente porque o Banco Central não autorizou a continuidade das tratativas. Mas tarde, decretou a liquidação extrajudicial do Master,
A informação sobre essa sociedade que poderia envolver também a negocviação de compra e venda foi rebelada pelo SBTNews.
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Na prática, o banqueiro e seus aliados eram um dos principais acionistas do banco com quem negociavam carteiras podres, segundo investigação da Polícia Federal.
As informações constam em documento do BRB chamado Formulário de Referência 2025. Os papéis foram entregues na terça-feira (3) à CVM (Comissão de Valores Mobiliários). O SBT News teve acesso às informações.
No documento, o BRB destaca a atual posição acionária do banco controlado pelo Governo do Distrito Federal.
Segundo a reportagem, um dos acionistas é um fundo de investimentos chamado Borneo FIP Multiestratégia. Ele é administrado pela Reag Investimentos – grupo liquidado pelo Banco Central e alvo de investigações pelas suspeitas de envolvimento com facções criminosas e o Banco Master.
A Borneo tem 3,164% das ações do BRB. Seu balanço divulgado pela CVM revela que o fundo investe cerca de R$ 130 milhões no Banco de Brasília e possuía apenas um cotista, cujo nome é mantido em sigilo.
João Carlos Mansur, fundador da Reag e aliado de Vorcaro, também aparece na lista de acionistas com 4,553% do BRB.
Mansur entrou no BRB com seu próprio CPF — é o único acionista do banco registrado na pessoa física.
O terceiro acionista do BRB ligado ao Master era o Will Bank, instituição financeira comprada pelo banco de Vorcaro.
A fintech possuía 6,920% das ações do BRB. Como o Will teve problemas de liquidez e ficou inadimplente, a Mastercard executou garantias previstas em contrato e ficou com a participação no Banco de Brasília.
A operação da Mastercard foi realizada em 20 de janeiro. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Will Bank.
Na prática, o grupo de Vorcaro perdeu a fatia que o Will Bank possuía do BRB. Hoje, a parte do grupo representa pouco menos que 7,8% do Banco de Brasília.
As informações embasaram a abertura de uma nova investigação da Polícia Federal sobre uma possível gestão fraudulenta do BRB durante as negociações com o Master.
O novo inquérito foi aberto após o Banco de Brasília enviar achados de uma auditoria para a PF na quinta-feira (29).
A investigação tem foco a atuação de Daniel Vorcaro, seu ex-sócio Maurício Quadrado e João Carlos Mansur, fundador da Reag.


