Novas descobertas ilustram uma estrutura criminosa organizada, incluindo relações com altas autoridades da República
Por Misto Brasil – DF
A terceira fase da Operação Compliance Zero trouxe novos elementos sobre o caso do Banco Master. Em geral, a investigação da Polícia Federal (PF) apura crimes financeiros, corrupção e outros atos ilegais ligados ao banco e seus associados.
Na última quarta-feira (04), o banqueiro Daniel Vorcaro recebeu um mandado de prisão preventiva pela segunda vez.
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Novas descobertas ilustram uma estrutura criminosa organizada. O levantamento é da Times Brasil.
As nove revelações
1. Prisão de Daniel Vorcaro e cúmplices
A nova ordem de prisão preventiva baseia-se em indícios de que as atividades ilícitas continuaram mesmo após a primeira fase da operação.
Em 17 de novembro de 2025, Vorcaro teve prisão preventiva decretada, mas foi liberado posteriormente, mediante uso de tornozeleira eletrônica. Agora, segundo a PF, novos elementos sugerem que o grupo continuou ocultando recursos bilionários em nome de terceiros, além de outras atividades.
2. Organização criminosa estruturada
A decisão do ministro do STF sugere que a organização criminosa tem atuação coordenada e divisão de tarefas entre seus integrantes.
De acordo com o novo relator do caso Master, o ministro André Mendonça, os elementos reunidos indicam uma estrutura complexa voltada à prática de crimes com impacto social relevante.
3. Esquema do Master baseado em 4 núcleos
De acordo com os documentos, os envolvidos no caso Master estão organizados em quatro núcleos principais:
- Financeiro;
- Corrupção institucional;
- Ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro;
- Intimidação e obstrução de Justiça.
Em geral, cada núcleo tem funções específicas dentro da estrutura investigada.
4. Investigados têm funções distintas
A investigação da PF aponta que Vorcaro é líder do grupo “A Turma”. Nessa estrutura, Fabiano Zettel, cunhado do dono do Master, é descrito como operador financeiro, responsável por pagamentos e transferências.
Há ainda Luiz Phillipi Mourão, apelidado de “Sicário”, que coordena ações de monitoramento e intimidação. Já Marilson Roseno, policial federal aposentado, integraria o núcleo voltado à coleta de informações e vigilância.
5. Ex-servidores do Banco Central prestariam consultoria informal
Além disso, a PF aponta que dois ex-servidores do Banco Central do Brasil teriam prestado uma espécie de consultoria informal a Vorcaro. São eles Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor do Banco Central (BC), e Bellini Santana, chefe do Departamento de Supervisão Bancária do BC.
O STF decretou o afastamento de ambos, além de outras medidas cautelares.
6. Comunicação via grupo de WhatsApp
Junto a isso, os ex-servidores e os cúmplices ‘operacionais’ participavam de um grupo de WhatsApp com o banqueiro, chamado “A turma”.
Com ele, facilitou-se a comunicação direta entre os envolvidos para discutir estratégias relacionadas aos interesses do Banco Master.
7. Pagamento por informações privilegiadas
Outra suspeita é sobre os indícios de pagamento mensal de vantagens indevidas aos ex-integrantes do Banco Central. Em troca, eles teriam repassado informações sobre processos administrativos envolvendo o banco.
8. Orientação estratégica para lidar com a fiscalização
Em paralelo, os ex-servidores do Banco Central teriam orientado Vorcaro em processos administrativos e de fiscalização relacionados ao Banco Master. A dupla sugeria argumentos e abordagens para serem utilizados em reuniões com dirigentes do BC.
9. Acesso a bases de dados da PF e de sistemas oficiais internacionais
Ademais, segundo a Polícia Federal, o grupo responsável por monitoramento teria acessado bases restritas utilizadas por órgãos de investigação, incluindo sistemas:
- da própria Polícia Fedreal
- do Ministério Público Federal (MPF)
- do Federal Bureau of Investigation (FBI)
- e Interpol.
Nesse caso, Mourão é apontado como coordenador operacional de “A Turma”, sendo responsável por consultas e extrações de dados nesses sistemas do caso Master.





















