O comportamento virou um dos principais sinais de preocupação dentro da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro
Por Misto Brasil – DF
A crise envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro produziu um fenômeno considerado incomum por analistas políticos e especialistas em monitoramento digital: o silêncio do próprio bolsonarismo nas redes sociais.
Acostumada a responder rapidamente ataques contra seus integrantes e a dominar discussões online, a militância ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro reagiu de forma mais dispersa, menos vocal e sem uma narrativa clara após a divulgação dos áudios publicados pelo site The Intercept Brasil.
Na análise dos participantes do Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, desta sexta-feira (22), o comportamento virou um dos principais sinais de preocupação dentro da pré-campanha de Flávio.
“55% a 60% das menções sobre política dentro do digital são produzidas por 5% dos eleitores, porque de fato são perfis muito vocais”, afirmou Renato Dolci, cientista político e diretor de dados da Timelens.
“Dessa vez nós não vimos dois perfis vocais, um atacando e um defendendo, a gente viu um atacando e o outro em silêncio. Então, sim, há um melindre”.
Segundo ele, o volume de interações sobre o caso foi extremamente alto, mas diferente de outras crises envolvendo o bolsonarismo, a direita teve dificuldade para construir uma defesa pública coordenada.
A avaliação dos participantes é que a crise atingiu justamente um dos temas mais sensíveis para a direita, calcado no discurso anticorrupção, apropriado pelo espectro nos últimos anos.
Além disso, a divulgação gradual de informações, estratégia usada pelo The Intercept em outras revelações, dificultou a criação de uma versão única para ser defendida pela militância digital.
“O que aconteceu dessa vez é que bolsonarismo levou uma pancada inicial, está ali tentando processar essa informação, ver quais são as narrativas para tentar explicar para eles mesmos, o que está acontecendo e esse é um processo natural, a gente já viu acontecer em outros momentos com o bolsonarismo. É um processo natural, e aí tem uma reorganização”, comentou o analista político da XP, Vitor Scalet.
Outro fator que chamou a atenção foi a velocidade com que o caso conseguiu deixar a bolha tradicional da política e alcançou eleitores menos interessados em debate institucional.
Nos bastidores do PL, a avaliação é que parte da dificuldade vem da ausência de uma linha de defesa estável.
Desde o vazamento dos áudios, aliados de Flávio apresentaram versões diferentes sobre o caso, passando por argumentos de contrato privado, perseguição política e tentativa de associar o Banco Master ao PT.
Para Renato Dutto, isso impediu que a base bolsonarista encontrasse um discurso consistente para reagir.
















