Torcedores de determinados países tiveram seus ingressos cancelados. Um verdadeiro pandemônio na Copa do Mundo
Por André César – SP
O que deveria ser uma Copa do Mundo transnacional, com três países organizando em parceria e um recorde de 48 seleções participantes, está tendo um início caótico.
Profissionais do esporte (jogadores, juízes, jornalistas) sendo tratados com desrespeito nos Estados Unidos, além de torcedores de determinados países que simplesmente tiveram seus ingressos cancelados. Um verdadeiro pandemônio.
Os exemplos são vários e cabe aqui apenas repassar alguns deles. O caso mais emblemático é o do Irã, cuja seleção jogará na Terra de Tio Sam mas não poderá dormir no país – a saída encontrada foi buscar hospedagem na fronteiriça Tijuana, no México.
Outros casos igualmente chamam a atenção. A seleção de Senegal recebeu tratamento de guerra pelas autoridades americanas em plena pista de pouso, bem como o Uzbequistão.
O Iraque sofreu horas para entrar no país, e há ainda a situação bizarra vivida pelo juiz Somali (o principal do continente, dizem) que apitaria no campeonato, mas teve o visto negado.
Como pano de fundo, é claro, está a administração Trump, que parece optar pela discórdia e também pela violência. O comportamento de certas autoridades do país vai absolutamente contra os preceitos e a magia do esporte. Simples assim.
Aqui, alguns pontos a ressaltar. Em primeiro lugar, o conflito no Oriente Médio alimenta esse quadro e, sem um cessar-fogo efetivo na região, nada vai melhorar nos dias de jogos. A tensão estará no ar – e em campo.
Além disso, a FIFA mostra-se subserviente ao governo republicano. O presidente da instituição, Gianni Infantino, não esconde a admiração por Trump, chegando por vezes às raias da humilhação.
Por fim, é preciso lembrar que a Copa do Mundo tornou-se um enorme evento midiático, no qual o futebol perde protagonismo e fica em segundo (terceiro?) plano.
Ingressos a preços estratosféricos e todo tipo de serviço mega inflacionados, eis o resumo da Ópera.
Em suma, a bola começará a rolar cercada de incertezas. Os tempos românticos do velho esporte bretão ficaram no passado. Uma pena.














