Crise do Master racha a direita e põe em xeque Flávio

Ronaldo Caiado e Pedro Lupion FPA Misto Brasília
Governador Ronaldo Caiado e o presidente da FPA, Pedro Lupion/Arquivo/Divulgação
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Durante fórum em São Paulo, Ronaldo Caiado e Romeu Zema oscilam entre o distanciamento e o discurso de união contra a esquerda

Por Misto Brasil – DF

Os principais nomes da direita brasileira começaram a recalibrar publicamente suas estratégias eleitorais diante do mais novo terremoto político que atinge o clã Bolsonaro.

A divulgação de áudios que expõem uma estreita ligação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro — pivô do escândalo bilionário envolvendo o Banco Master — abriu fissuras na ala conservadora.

A oscilação no apoio ao parlamentar fluminense ficou evidente nesta segunda-feira (15), durante os painéis do Veja Fórum Rumos do Brasil, realizado na capital paulista.

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O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), foi um dos primeiros a sinalizar que o episódio alterou a correlação de forças no tabuleiro conservador. Em conversa com jornalistas,

Caiado avaliou que as recentes revelações jornalísticas desidrataram o capital político da pré-campanha de Flávio.

O político goiano se colocou abertamente como uma alternativa viável para capitanear o eleitorado de direita em um eventual segundo turno em 2026.

“O que precisamos é de um candidato que chegue no segundo turno em condições de poder enfrentar e ganhar as eleições”, declarou Caiado.

Quando pressionado de forma direta sobre as transações e diálogos entre o senador e Vorcaro, o ex-governador goiano optou pelo pragmatismo político e evitou sair em defesa pública do colega de espectro ideológico, evidenciando o isolamento gradual do filho “zero um” do ex-presidente.

Por sua vez, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), adotou uma postura ambígua para tentar blindar a aliança macro com o Partido Liberal (PL). Zema recorreu a uma tática de nacionalização de seu discurso regional, trazendo à tona a cartilha do antipetismo radical como cortina de fumaça para desviar a atenção das denúncias de corrupção financeira que rondam seus aliados.

“O PT praticamente não existe mais em Minas Gerais. Eu enterrei o PT. O PT não disputou eleições de Minas para governador em 2022 e não vai disputar este ano”, esbravejou o mineiro.

A fala mansa de Zema no evento de hoje, contudo, contrasta com as duras e recentes críticas que ele mesmo havia desferido contra o parlamentar.

Em entrevista concedida à plataforma Brasil Paralelo dias atrás, o político mineiro subiu consideravelmente o tom, classificando o teor dos áudios gravados como “um tapa na cara dos cidadãos de bem” e disparando que “quem anda com bandido merece ser visto com cautela”.

Naquela ocasião, Zema havia sido categórico ao afirmar que era “imperdoável ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro”.

Hoje, buscando conter a implosão da direita, ele suavizou o discurso e pregou uma coalizão ampla, comparando o cenário brasileiro com o processo eleitoral chileno de 2025, quando as forças conservadoras se uniram no segundo turno em torno de José Antonio Kast para enfrentar a esquerda.

“Ninguém aqui vai subir em palanque de PT não, quem é da direita”, justificou.

No centro do furacão, Flávio Bolsonaro subiu ao palco do fórum empresarial com a missão de conter os danos à sua imagem e estancar a crise na ala governamental e corporativa.

O senador tentou enquadrar as conversas gravadas com Daniel Vorcaro como meras “iniciativas de ordem estritamente privada”.

O longa “Dark Horse”

Pressionado sobre os trechos que revelaram pedidos de cifras milionárias para o financiamento de “Dark Horse” — longa-metragem de ficção inspirado na trajetória de Jair Bolsonaro —, ele minimizou as suspeitas.

“Minha relação com ele foi única e exclusivamente por causa do filme. Não há absolutamente nada de errado”.

A narrativa de “mero investimento privado” recebeu o reforço irônico de seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O caçula também aparece implicado em planilhas que sugerem sua influência direta na gestão e no destino de recursos da produção cinematográfica no exterior.

Eduardo minimizou as investigações sobre o repasse de mais de US$ 10 milhões (cerca de R$ 50,8 milhões) via fundos internacionais.

“O valor pode ser o valor que quiser. O dinheiro é seu? É do pagador de impostos? O dinheiro é meu”, reagiu o ex-parlamentar com rispidez.

Tentando mudar o foco da pauta financeira para a segurança pública e a agenda internacional, Flávio Bolsonaro revelou que tem feito gestões diretas com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

Ele informou ter pedido a Washington que evite a imposição de barreiras tarifárias contra empresas brasileiras.

Além disso, defendeu a proposta do governo de Donald Trump de classificar as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.

“É natural que qualquer presidente que realmente queira derrotar [o crime] se alie e faça pactos com outras nações”.

Quem também calibrou os passos diante do desgaste alheio foi o senador Sergio Moro (PL-PR). Recém-filiado ao partido para pavimentar sua candidatura ao governo paranaense, o ex-juiz da Operação Lava Jato manteve um distanciamento protocolar e frio ao comentar o calvário do colega de bancada.

“O senador Flávio Bolsonaro já apresentou as explicações e assinou os pedidos de investigação. Vamos aguardar os desdobramentos”, limitou-se a pontuar Moro, sinalizando que a Lava Jato ensinou que, em momentos de denúncias financeiras, a cautela política vale ouro.

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