O Obninsk NEW 2026 acontece em comemoração também aos 80 anos do Instituto de Física e Engenharia Leypunsky
Por Misto Brasil – DF
A cidade russa de Obninsk, localizada na região de Kaluga — que, em 1954, abrigou a primeira usina nuclear do mundo — sediou nesta sexta-feira (26), data que remete a essa efeméride, o IV Fórum Internacional de Jovens do Setor Nuclear, que reuniu autoridades, especialistas e lideranças globais para discutir os rumos e o futuro da energia atômica.
A Agência Sputnik Brasil acompanhou de perto o evento, também conhecido como Obninsk NEW 2026, organizado pela Rosatom, estatal russa de energia nuclear, que recebeu diversas delegações estrangeiras.
Entre as autoridades presentes, Valery Falkov, ministro da Ciência e Ensino Superior da Rússia, discursou para um auditório completamente lotado e exaltou a importância da formação científica.
“É simbólico que o fórum aconteça justamente em Obninsk, cidade onde começou a história do átomo pacífico. O progresso na área da energia nuclear, das tecnologias termonucleares e quânticas, assim como a aplicação da inteligência artificial, exige a formação de profissionais altamente qualificados de uma nova geração: competentes, proativos, capazes de tomar decisões responsáveis e de concretizar os projetos mais ambiciosos”, disse.
A edição de 2026 ocorre também em comemoração a um ano simbólico para Obninsk, que celebra 70 anos, além dos 80 anos do Instituto de Física e Engenharia Leypunsky, uma das instituições mais importantes da história nuclear soviética e russa.
Na cerimônia, o diretor-geral da Rosatom, Aleksei Likhachev, enfatizou a importância do desenvolvimento do setor.
“Além das nossas ações conjuntas no desenvolvimento dos conhecimentos e das competências nucleares, na educação nuclear também falamos sobre valores comuns. Para mim, é muito importante compreender que a geração de vocês está pronta para assumir a responsabilidade pelo amanhã do planeta Terra. É nisso que consiste o curso absolutamente irreversível da vida, o curso da história”, comenta.
“Embora não estejamos falando de nêutrons, estamos falando de algo extremamente importante: as pessoas. Porque sem as pessoas, sem as comunidades e a colaboração e um propósito compartilhado, nada que fazemos na ciência e na tecnologia nuclear teria sentido”, destaca.
Presença brasileira
A presença brasileira também apareceu na discussão sobre o Impact Team 2050, conselho internacional jovem ligado à Rosatom.
O brasileiro Luiz Miranda, da EnergyC, consultor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e membro do grupo, explicou como será o trabalho que irá desenvolver nessa rede que conta com pesquisadores de diversas partes do mundo.
“O Impact Team é um grupo de jovens onde a gente tem como objetivo promover energia nuclear, e a maioria desses países são […] da África e do Oeste Asiático. O Impact Team, na verdade, é um objetivo de a gente poder promover essa pauta até 2050, onde a gente sabe que é uma energia que pode promover não só o desenvolvimento econômico, mas também tecnológico.”
Mais do que uma celebração, o fórum em Obninsk provou que o interesse pela energia atômica segue atual, por ser estratégica para o desenvolvimento e a soberania tecnológica.
















