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Há um redesenho do sistema financeiro internacional com novas tecnologias/Arquivo/SanBlog
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Nações em desenvolvimento não podem mais figurar como meras consumidoras passivas de tecnologia estrangeira

Por Márcio Coimbra – SP

O ápice dramático da Copa do Mundo de 2026 não se limitou ao talento nos gramados, manifestou-se na precisão invisível dos elétrons.

No confronto que eliminou a Croácia diante de Portugal, a história do torneio foi selada por milímetros. Um gol croata decisivo acabou anulado após o sistema de impedimento semiautomático detectar uma posição irregular imperceptível ao olho humano.

Leia – acompanhe a séie especial sobre a Copa do Mundo 2026

O veredito nasceu dos dados transmitidos a 500Hz pelo coração tecnológico da bola Trionda. E embora o rastreamento leve a assinatura da alemã Kinexon com a Adidas, a certidão de nascimento daquela jogada aponta para o Parque Científico de Hsinchu, em Taiwan, berço da tecnologia de semicondutores.

Esse episódio ilustra uma realidade incontornável: os chips são o novo petróleo da economia global. Da gestão do tráfego aos sistemas de defesa, passando por smartphones, finanças e, agora, o esporte, nenhuma engrenagem gira sem circuitos integrados.

Hoje, a cadeia de microchips é o vetor de maior vulnerabilidade e, simultaneamente, de maior poder geopolítico do planeta. Países sem acesso garantido a essa produção enfrentam riscos de apagões industriais e submissão estratégica.

A corrida tecnológica atual vai além da eficiência de mercado, é uma disputa feroz por soberania. Diante disso, nações em desenvolvimento não podem mais figurar como meras consumidoras passivas de tecnologia estrangeira.

Sob essa dependência, o Brasil precisa debater urgentemente sua soberania digital. Autonomia tecnológica e processamento local de dados não são pautas puramente econômicas, mas pré-condições para a segurança nacional e a preservação das liberdades civis.

Em um ecossistema hiperconectado, delegar a custódia de nossas informações e riquezas a servidores controlados por potências externas significa fragilizar nossa integridade democrática. Sem infraestrutura nacional e governança forte, dados ficam vulneráveis a vazamentos e espionagem industrial.

Apenas o domínio de tecnologias críticas assegura proteção contra monitoramentos invisíveis.

Para além do hardware, essa soberania consolida-se na Inteligência Artificial (IA). O desenvolvimento de um Grande Modelo de Linguagem (LLM) focado na língua portuguesa é um passo estratégico para reduzir a dependência de algoritmos cujos vieses refletem realidades externas.

Além de mitigar o risco de bloqueios unilaterais em serviços públicos essenciais, um modelo nativo garante o alinhamento com o nosso contexto institucional.

Essa busca não pressupõe isolacionismo, a infraestrutura e a formação de capital humano podem ser aceleradas por parcerias estratégicas, cooperando com polos globais e democráticos, a exemplo do modelo de Taiwan com o Paraguai, ou estreitando laços com o Japão.

Assim como os semicondutores na bola Trionda garantiram precisão em decisões nesta Copa, o futuro do Brasil depende de escolhas igualmente cirúrgicas.

A dolorosa desclassificação diante da Noruega deixou claro que o futebol precisa se reconstruir, mas este processo reflete a urgência de uma modernização nacional muito mais ampla.

A busca por soberania digital, IA própria e alianças com polos democráticos deve funcionar como o motor de uma economia forte.

Afinal, tanto nos gramados quanto na geopolítica do silício, o protagonismo global não se sustenta com a nostalgia do passado, mas com a capacidade de dominar a tecnologia que dita as regras do jogo do futuro.

(Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e presidente-executivo do Instituto Monitor da Democracia)

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