Esse novo cenário resultará em eventos climáticos ainda mais extremos e intensificará a pressão sobre os ecossistemas.
Por Misto Brasil – DF
O aumento das temperaturas globais deverá ultrapassar o limite crucial de 1,5 °C nos próximos anos, afirmou o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) nesta quarta-feira (02), num relatório inédito. Esse limite visava conter as mudanças climáticas e reduzir seus impactos.
Esse novo cenário resultará em eventos climáticos ainda mais extremos e intensificará a pressão sobre os ecossistemas, as geleiras e as cidades costeiras de baixa altitude. “A humanidade está avançando rapidamente além do limite necessário para evitar uma catástrofe climática”, afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.
“É um choque de realidade. Temos de aprender a conviver com um mundo mais quente”, disse o cientista do clima Richard Betts, da Universidade de Exeter, no Reino Unido, e coautor do relatório. “Mas ainda há muito que podemos fazer para limitar o aquecimento”.
Embora os fatores desencadeantes das recentes e fatais inundações no Nepal, causadas pelo desprendimento de uma geleira no Himalaia, sejam complexos, Betts afirmou: “Infelizmente, esperamos ver mais eventos desse tipo, e é exatamente por isso que precisamos limitar o pico do aquecimento”.
No relatório, o Pnuma alerta que as medidas para limitar o aquecimento global devem ser acompanhadas de políticas de adaptação para reduzir os impactos da crise climática.
Nova estratégia
O Pnuma afirma que é possível reduzir novamente o aumento da temperatura para abaixo de 1,5 °C, mas isso seria altamente incerto e exigiria cortes rápidos nas emissões, além de medidas para remover o dióxido de carbono já presente na atmosfera.
Segundo o estudo do Pnuma, limitar ao máximo a ultrapassagem do limite de 1,5 °C e voltar o mais rapidamente possível a uma temperatura inferior a esse patamar é, atualmente, a melhor estratégia.
Por essa nova estratégia, após as temperaturas globais ultrapassarem o limite de 1,5 °C, elas deverão seguir uma trajetória de aquecimento crescente até atingirem um pico e, em seguida, esfriarem gradualmente para níveis abaixo dessa marca – idealmente até o fim do século. Tanto o relatório quanto os especialistas denominam esse fenômeno de “ultrapassagem” (overshoot).
O mais importante passa a ser, primeiramente, limitar o novo pico de temperatura e, em seguida, reduzir o tempo de permanência acima de 1,5 °C, afirmou Andersen. No entanto, é provável que o mundo permaneça nessa fase de overshootpor “muitas e muitas décadas”, disse Betts.
O Acordo de Paris busca limitar o aumento da temperatura da Terra a menos de 2 °C e, idealmente, a 1,5 °C. “Vamos ser muito claros: a meta de 1,5 °C continua sendo o objetivo. Mas agora precisamos abordá-la de uma maneira diferente, chegando a ela a partir de um patamar mais elevado”, afirmou a diretora-executiva do Pnuma, Inger Andersen. (Texto da DW)
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