Protagonismo das mulheres na campanha ao Senado

Senado Federal plenário votação Misto Brasil
Detalhe do plenário do Senado Federal durante votação do projeto de desidometria/Arquivo/Carlos Moura/Agência Senado
Compartilhe:

Atualmente, 15 mulheres integram a Casa, formada por 81 senadores, das quais seis seguem nos cargos para cumprir mais 4 anos de mandato.

Por Jéssica Moura – RJ

Na contramão das disputas para governos estaduais e para a Presidência da República, as mulheres ganharam destaque na disputa eleitoral ao Senado, apesar de ainda representarem uma pequena parcela entre os candidatos – apenas 70 dos 319 inscritos no pleito.

Cada estado vai eleger dois senadores que vão ocupar as 54 cadeiras vagas. Dois terços da Casa serão renovados. Em 2018, 17,2% das candidatas eram mulheres; agora são 21,9%. Além disso, desta vez, assim como em 2014, há mulheres concorrendo em todos os estados.

Essa alta nas candidaturas pode se converter em uma ampliação da bancada feminina no Senado a um patamar inédito. A perspectiva de especialistas é de que elas passem a ocupar pelo menos um quarto das cadeiras na próxima legislatura.

A proporção nunca passou dos 18,5%. Atualmente, 15 mulheres integram a Casa, formada por 81 senadores, das quais seis seguem nos cargos para cumprir mais 4 anos de mandato.

“Essa é uma eleição em que há uma chance real, caso as pesquisas se confirmem, desse avanço feminino”, avalia o cientista político da Universidade de Brasília (UnB), Murilo Medeiros.

O Distrito Federal, por exemplo, pode ser uma das únicas unidades da federação a ter uma bancada 100% feminina.

Por lá, duas candidatas da direita, Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL), e uma de centro e outra da esquerda, Leila Barros (PDT) e Érika Kokay (PT), despontam na corrida e podem compor a bancada com a senadora Damares Alves (Republicanos), que fica no cargo até 2031.

O mais usual era que os partidos reservassem às mulheres as suplências. Entre as atuais integrantes do Senado, cinco passaram a ocupar as cadeiras depois que os titulares deixaram os cargos. Esse cenário mudou desde que o Senado passou a ser uma Casa visada pelos partidos políticos.

Cabe, por exemplo, aos senadores sabatinar indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) e votar o impeachment de ministros da Corte.

Em 2021, a bancada feminina foi institucionalizada no Senado e se articulou para atuar na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19. Nenhuma senadora foi indicada pelos partidos para compor a CPI. Ainda que sem direito a voto no colegiado, elas decidiram se revezar para acompanhar os trabalhos a cada reunião.

As siglas do campo progressista são as que mais recrutaram mulheres. A Unidade Popular é a que tem mais candidatas (10), seguida de PSol (9) e PT (7). Além das candidaturas próprias em 18 estados, o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por apoiar aliados de outras siglas.

“É a estratégia de formação de uma base política ampla para a disputa nacional”, afirma o PT.

No campo da direita, é o PL de Flávio Bolsonaro que desponta com quatro mulheres na corrida ao Senado. O partido pretende ampliar a bancada no Senado e candidatos querem influenciar a possível deliberação sobre o impeachment de ministros do STF.

(Jéssica Moura trabalha na Agência DW)

PARTICIPAÇÃO DO LEITOR

Participe desta discussão

Compartilhe sua opinião sobre este assunto. As participações passam por análise editorial antes de qualquer utilização no site.

Seu e-mail não será publicado.
Entre 20 e 3.000 caracteres.

Assuntos Relacionados

Siga o Misto Brasil

Acompanhe em todas as redes

Notícias, vídeos e destaques em tempo real. Escolha sua rede favorita.

Dica: acompanhe também pelo WhatsApp para receber atualizações rápidas.

Brasília e Entorno do DF

Oportunidades