A pesquisa cita a JBS e a Tyson Foods pela adoção de dispositivos vestíveis e inteligência artificial para monitorar posturas e metas de produtividade.
Por Misto Brasil – DF
Trabalhadores da indústria de processamento de carne no Brasil e nos Estados Unidos registram taxas de lesões e doenças ocupacionais de três a dez vezes superiores à média nacional.
Os dados integram o relatório global “O Trabalho que Alimenta”, divulgado pelo Painel Internacional de Especialistas em Sistemas Alimentares Sustentáveis (IPES-Food).
O estudo destaca que 1,4 bilhão de pessoas atuam no setor agroalimentar no mundo e aponta que a exposição ao calor extremo, a jornadas exaustivas e a pesticidas torna o segmento rural responsável por um terço das mortes ocupacionais globais.
No Brasil, mulheres em frigoríficos apresentam índices elevados de abortos espontâneos devido a baixas temperaturas, ruído e agentes biológicos.
“Como mostram as ondas de calor recentes, as mudanças climáticas estão se tornando uma crise de direitos trabalhistas. Trabalhadores rurais já enfrentam salários de miséria, pesticidas tóxicos e condições extenuantes”, declarou Mamadou Goïta, especialista do IPES-Food.
A pesquisa também cita a JBS e a Tyson Foods pela adoção de dispositivos vestíveis e inteligência artificial para monitorar posturas e metas de produtividade. Sobre a concentração de mercado, o especialista Raj Patel pontuou: “Grandes corporações alimentícias lucram mantendo a mão de obra barata e os trabalhadores sem poder”.
Estresse térmico: Calor extremo e enchentes elevam o risco de morte no campo, onde faltam sombra e água potável.
Vigilância digital: Sistemas de gestão algorítmica e automação aceleram linhas de produção e elevam lesões por esforço repetitivo.
Modelo corporativo: Quatro empresas concentram até 85% do processamento de carnes nos EUA, pressionando salários ao longo da cadeia.
O levantamento conclui que a garantia de salários dignos e a ampliação de inspeções trabalhistas são fundamentais para conter abusos sem necessariamente inflacionar o custo final dos alimentos aos consumidores.
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