Indústrias brasileiras usam Paraguai para elevar competitividade

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Dezenas de indústrias brasileiras já se instalaram no Paraguai por causa dos benefícios fiscais/Arquivo/Pysemfronteiras
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A integração de cadeias produtivas no Mercosul redefine as estratégias industriais e impulsiona a eficiência operacional no Cone Sul.

Por Misto Brasil – DF

A expansão de empresas brasileiras para o Paraguai tem consolidado o país vizinho como uma plataforma complementar de produção para a indústria nacional.

Com reduções no custo operacional que chegam a 60% em determinados projetos, o movimento é impulsionado por benefícios fiscais da Lei de Maquila, mão de obra acessível e energia mais barata.

Segundo levantamento da Câmara de Empresas Maquiladoras do Paraguai (Cemap), cerca de 70% do capital instalado nas 339 maquiladoras ativas no país é de origem brasileira.

O ecossistema permitiu ao Banco Mundial elevar para 4,7% a projeção de crescimento do PIB paraguaio em 2026, contra 2,1% estimados para a economia do Brasil.

“É menos uma história de substituição de um país pelo outro e mais de reorganização das cadeias produtivas e expansão produtiva”, a fundadora da consultoria Frontexa, Suelen Raizer.

“O maior risco para a indústria brasileira não é a produção no Paraguai, é perder competitividade e assistir ao mercado ser ocupado por produtos importados”.

A especialista aponta ainda que o modelo independe do cenário eleitoral: “Uma indústria não decide onde produzir apenas olhando quem ocupa a Presidência. Ela compara custos, produtividade, segurança jurídica, logística e acesso a mercados”.

  • Regime de Maquila: Isenção de Imposto de Renda sobre dividendos e tributação de apenas 1% sobre o valor agregado na exportação.

  • Setores em expansão: Adoção concentrada nos segmentos têxtil, alimentício, de plásticos e de autopeças.

  • Rota Bioceânica: Previsão de início das operações em 2028, reduzindo em até 17 dias o transporte de insumos do Pacífico.

A cooperação bilateral preserva etapas fabris de maior complexidade técnica em solo brasileiro, enquanto transfere processos de alto custo para o território paraguaio.

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