Há uma doença infecciosa que tem atormentado anfíbios em todo o mundo: chama-se quitridiomicose e é causada por um fungo. Mas quantas espécies de anfíbios foram afetadas por esta doença?
Num artigo publicado na última edição da revista científica Science, refere-se que já causou o declínio de 501 espécies de anfíbios e que 90 delas já estão “presumivelmente extintas”. Também se considera que a quitridiomicose é a doença que provocou a maior perda na biodiversidade até agora.
Quando o fungo quitrídio (Batrachochytrium dendrobatidis) infecta a pele de várias espécies de rãs, sapos e outros anfíbios causa a quitridiomicose – que também pode ser provocada pelo fungo Batrachochytrium salamandrivorans, que afeta salamandras e tritões.
Esta doença prejudica a capacidade de os anfíbios regularem a água e pode levá-los à insuficiência cardíaca. Como o fungo passa de animal para animal e se espalha rapidamente na natureza, tem contribuído para o declínio de algumas espécies.
Apesar de estar presente em 60 países, no estudo salienta-se que as maiores diminuições ocorreram em populações de anfíbios da Austrália, Mesoamérica e na América do Sul. Concluiu-se ainda que o pico no declínio das populações aconteceu nos anos 80.
A equipe traçou ainda o perfil das espécies atingidas de forma mais grave: “O declínio foi maior em espécies com corpos maiores, que estão presentes em regiões regularmente húmidas e fortemente associadas a habitats aquáticos perenes”, lê-se no artigo.
Como há mais de 7000 espécies de anfíbios descritas, isto representa cerca de 6,5% dessas espécies. Além disso, 124 delas tiveram diminuições graves (mais de 905) nas suas populações e 90 já estão extintas ou “presumivelmente extintas”.
“Isto representa a maior perda de biodiversidade documentada atribuída a um agente patogénico e coloca o B. dendrobatidis entre as espécies invasivas mais destrutivas, quando comparado com os roedores (que ameaçam 420 espécies) e gatos (que ameaçam 430 espécies)”, diz o artigo.



























