O Brasil provavelmente escapará da recessão, mas ainda há um longo caminho a percorrer antes que as reformas liberais promovidas pelo governo de Jair Bolsonaro produzam os frutos esperados dos mercados, dizem analistas.
No caso de retrocesso, o país entraria em recessão, definida como dois trimestres consecutivos de contração econômica, já que no período de janeiro a março seu PIB contraiu 0,2%.
A principal economia latino-americana nunca realmente se recuperou da recessão de 2015 e 2016 (com uma perda total de 6,7% de seu PIB), seguida por dois anos de crescimento fraco (1,1% em 2017 e 2018).
E em 2019 a expansão será de apenas 0,8%, de acordo com as previsões do governo e do mercado, que no início do ano, quando Bolsonaro chegou ao poder, projetavam expansão de 2,5%.
“No primeiro semestre, tivemos esse mau resultado por duas razões. A primeira, porque mesmo com a expectativa positiva de novas políticas, o mercado estava um pouco parado, aguardando a aprovação da reforma da aposentadoria”, disse o economista à AFP. Mauro Rochlin, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro.
E a segunda, “porque a política de austeridade causa um crescimento menor da economia a princípio”, completou.
O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse neste mês que os resultados chegarão antes do final do mandato de Bolsonaro em 2022.
“Dê uma chance a um governo liberal, espere quatro anos. Não trabalhe contra o Brasil, tenha um pouco de paciência”, disse Guedes em um debate sobre “liberdade econômica”.
O economista Silvio Campos Neto, da consultoria Trends, prevê “uma recuperação gradual e moderada, embora em uma base mais forte do que no passado”.
A estrada, além de íngreme, tem pouca visibilidade, devido às nuvens que se acumulam sobre a economia regional e mundial: incertezas eleitorais na Argentina, guerra comercial China-Estados Unidos, desaceleração das principais economias, para não mencionar mais do que o que pode ter um impacto direto no Brasil.
“Existe um cenário desafiador (…), mas se o Brasil fez sua lição de casa e não houve grande crise global, ele poderia se beneficiar, atraindo recursos para projetos de investimento”, diz Campos Neto.
“Apesar da turbulência, a agenda econômica avança (…), com medidas para reduzir o ‘custo do Brasil’, reduzir a burocracia e melhorar o ambiente de negócios”, bem como com a consistente queda nas taxas de juros.
Tudo isso, enquanto se aguarda a implementação do programa de privatizações e outras reformas importantes, como a tributação, projetadas para tornar o Brasil um país confiável para os investidores.
Bolsonaro é o grande político de reformas impopulares, mas suas constantes controvérsias com países que são importantes mercados para o Brasil preocupam o mundo dos negócios.
O último, em torno dos incêndios na Amazônia, favoreceu o questionamento do recente acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, devido à política ambiental do Brasil.
“Certamente (essas afirmações) têm um peso, eu não diria preponderante, mas sem essas situações, não há dúvida de que o ambiente interno seria melhor e a recuperação poderia ser mais rápida”, estima Campos Neto.






















