Extorsão com liberdade

Flanelinha estacionamento Brasília
Os flanelinhas se transformaram num incômodo/Arquivo
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Moro em uma cidade não muito diferente de tantas outras do Brasil. Se há algo que me deixa atônita é o número de “guardadores de carro” nas ruas (no Rio de Janeiro, são chamados de “flanelinhas”). Em locais públicos, eles estabelecem suas próprias leis, seus preços, seus territórios.

Ai de quem não paga! Ai de quem não se rende às instruções de como fazer baliza e estacionar, mesmo se elas são desnecessárias.

Não há absolutamente nenhuma interferência do poder público (MP? Quem? Alguém?) no jogo abusivo de contribuições aos guardadores de carro.

Já pagamos IPVA, só para citar um dos impostos imorais que nos daria, em tese, o direito de circular pelas ruas e estacionar em muitos locais sem precisarmos pagar mais nada. Mas nem isso é suficiente aos governos.

Talvez pensem que quem tem um carro teve ter também a obrigação de sustentar os desempregados que passam os dias a “guardar carro” em estacionamentos e demais áreas públicas.

O dinheiro que extorquem do cidadão tampouco é garantia de alguma coisa. Se seu carro for roubado, batido ou guinchado pelas autoridades de trânsito, obviamente o guardador de carros não poderá fazer absolutamente nada.

E ai de quem cobrar deles que impeçam algum risco na lataria, por exemplo.

Ganham dinheiro simplesmente por existirem, por estarem na rua no momento em que alguém estaciona em via pública. Não têm, de fato, o poder de “guardar” o carro de ninguém. Não há controle dessa atividade nem jamais haverá.

O que ocorre é que pagamos diversos impostos para ter segurança pública, mas somos feitos reféns de pessoas que insistentemente nos cobram pequenos valores para que tenhamos o direito de estacionar na rua. Caso não paguemos, ficamos marcados. Se voltarmos àquele lugar, é praticamente certo que haverá dano ao veículo, promovido pelos próprios guardadores de veículos.

Nessas horas, não existe segurança pública, Ministério do Trabalho, fiscalização. Os governos estaduais e municipais são cúmplices desses esquemas criminosos. Acreditam que estão contribuindo para gerar renda a um pai de família, mesmo à custa de prejuízo ao cidadão que, além de cumprir suas obrigações fiscais, deve também ajudar a promover a bandidagem na extorsão diária praticada.

Onde moro, infelizmente, é assim que funciona. Se porventura eu precisar estacionar em seis locais diferentes no decurso de 24 horas, terei que desembolsar seis valores diferentes para dar aos guardadores de carros de todos os locais. Azotoridade permitem provavelmente porque pagamos pouco ao Estado, né?

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