O Ministério Público de Minas Gerais apresentará na tarde desta terça-feira denúncia contra funcionários da Vale e da TÜV SÜD por crimes de homicídio e ambientais, devido ao envolvimento no rompimento de barragem de Brumadinho da mineradora em 25 de janeiro do ano passado, informou uma fonte com conhecimento do tema à Reuters.
Ambas as companhias também serão denunciadas por crimes ambientais, segundo a fonte, que teve acesso à denúncia e falou na condição de anonimato.
Na semana passada, o delegado da Polícia Federal responsável pela investigação, Luiz Nogueira, disse a jornalistas esperar que até junho haja a conclusão de uma perícia, que deverá apontar a causa da liquefação que levou ao rompimento de barragem, em um importante passo para determinar se houve homicídio no desastre. Devido à alta complexidade da perícia, foi selada uma parceria com universidades em Barcelona e Porto, viabilizada pelo MPF, para identificar as causas.
Mais cedo, o MP de Minas informou que apresentaria na tarde desta terça-feira denúncia contra ambas as empresas e 16 pessoas por crimes associados à tragédia. O órgão ainda não apresentou detalhes sobre quais seriam as denúncias.
O rompimento da barragem, que era operada pela Vale e teve a segurança certificada pela alemã TÜV SÜD, deixou 259 mortos confirmados, além de atingir rios, mata e comunidades da região. Outras 11 pessoas permanecem desaparecidas.
A Reuters havia publicado, há duas semanas, que o MPMG apresentaria em breve denúncias criminais contra Vale, TÜV SÜD e alguns de seus executivos e funcionários envolvidos no caso do rompimento de barragem. Na reportagem, a promotora de Justiça e coordenadora da força-tarefa do MPMG que apura o desastre, Andressa Lanchotti, afirmou que havia muitos elementos apontando risco para o colapso da barragem e esses elementos não eram desconhecidos.
Na ocasião, Lanchotti afirmou que o MPMG acreditava que a TÜV SÜD tinha grande interesse em assinar a segurança da barragem, para que pudesse obter mais trabalho com a Vale, que havia dispensado outra empresa de inspeção que se recusou a certificar a segurança da estrutura.
Enquanto o MPMG está pronto para apresentar sua denúncia, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal continuam a investigar o caso e uma possível denúncia do lado federal deverá demorar mais tempo.




















