Reino Unido se despede da União Europeia à meia noite

Londres Inglaterra passaporte
Com as ruas desertas e restaurantes fechados, o número de ratos quase duplicou /Arquivo
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O Reino Unido deixará a União Europeia (UE) na noite (meia-noite em Bruxelas, 23h em Londres) desta sexta-feira (31), depois de quase 50 anos de afiliação e três anos e meio de negociações e incertezas políticas e econômicas. É verdade que o país não estará mais representado nas instituições europeias, mas, à parte disso, num primeiro momento quase tudo fica igual.

“Ninguém vai perceber alguma diferença”, afirma o professor de economia e políticas públicas Jonathan Portes, do Kings College de Londres, já que o dia 1º de fevereiro marca o início de um período de transição que vai durar até o fim do ano, no qual o Reino Unido continuará seguindo as regras da UE e contribuindo com os cofres de Bruxelas.

Assim, o país também permanece no mercado comum europeu e na união aduaneira, e os direitos de viagem e de trabalho e as questões de previdência social continuam iguais. Os negócios também seguem como antes.

A economia britânica, porém, já foi duramente afetada desde que a população decidiu deixar a UE, no referendo realizado em junho de 2016. Estimativas publicadas no início de janeiro pela agência Bloomberg Economics mostram que o país ficou 130 bilhões de libras mais pobre. Esse valor deverá chegar a 200 bilhões de libras até o fim do ano.

Nesta quinta-feira, o Bank of England (banco central britânico) revisou para baixo suas projeções de crescimento. Em 2020, é esperada uma expansão de apenas 0,8%, e não mais de 1,2%, como em novembro passado. Já em 2021, o crescimento deverá ser de 1,4% e não mais de 1,7%.

As incertezas causadas pelo Brexit levaram empresas a adiarem investimentos no Reino Unido, a queda da libra elevou a inflação, o que por sua vez reduziu o consumo interno, e o mercado de ações teve um desempenho pior do que o dos EUA ou da China.

Alguns empresários esperam ser beneficiados por um forte aumento nos investimentos públicos, mas muitos economistas acreditam que o impulso pós-Brexit terá vida curta.

Neste sábado começa o período de transição de 11 meses, no qual a União Europeia e o Reino Unido poderão definir em mais detalhes sua futura relação comercial. Londres já afirmou que busca um acordo de livre-comércio nos modelos do existente entre a UE e o Canadá. Bruxelas argumenta que, em tão pouco tempo, apenas um acordo básico será possível.

A economia britânica é fortemente dependente dos serviços financeiros, que respondem por 11% do Produto Interno Bruto (PIB), são o setor que mais paga impostos e também responsáveis pelo serviço mais exportado pelo país. O setor financeiro é claramente o calcanhar de Aquiles do Reino Unido nas negociações com a UE, e Bruxelas pode condicionar o acesso ao mercado financeiro da UE a contrapartidas, como o direito de pesca nas águas britânicas.(Da DW)

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