Procurador-geral reafirma acusações contra a equipe da Lava Jato

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Augusto Aras disse que abriu investigação preliminar contra Bolsonaro/Arquivo/Agência Senado
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O procurador-geral da República, Augusto Aras, reafirmou nesta quarta-feira críticas à força-tarefa da operação Lava Jato e destacou que uma República não combina com heróis, segundo relato de dois parlamentares que participaram de uma videoconferência entre o PGR e senadores. Conforme os relatos, Aras repetiu o que disse na véspera sobre o amplo acervo de informações que a força-tarefa da operação em Curitiba têm, que seria maior do que o próprio banco de dados do Ministério Público.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) veio em defesa da força-tarefa; “Vamos denunciar a atuação cínica do PGR como porta-voz dos ataques à Lava Jato, tentando esconder sob o manto de um garantismo de araque os reais interesses de quem sempre quis “estancar a sangria” e “zerar o jogo”, beneficiando os bandidos que roubam este país desde sempre“.

“A justificativa dele é que não podem haver dados sigilosos só com determinadas pessoas dentro da Constituição”, disse o senador Major Olimpio (PSL-SP), um dos participantes do encontro, ao mencionar que, segundo o procurador-geral, nem a Corregedoria teria acesso aos dados. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse que Aras criticou muito o acervo e comparou isso a uma “web paralela”.

Na véspera à noite, em uma videoconferência por rede social, o procurador-geral tinha dito: “Em todo o MPF no seu sistema único tem 40 terabytes (de dados). Para o funcionamento do seu sistema, a força-tarefa de Curitiba tem 350 terabytes e 38 mil pessoas com seus dados depositados, que ninguém sabe como foram escolhidos.”

Em nota nesta quarta-feira, a força-tarefa rebateu as declarações de Aras. Disse que “não há na força-tarefa documentos secretos ou insindicáveis das corregedorias”. “Os documentos estão registrados nos sistemas eletrônicos da Justiça Federal ou do Ministério Público Federal e podem ser acessados em correições ordinárias e extraordinárias. As investigações e processos são ainda avaliados pelas corregedorias e pelo Poder Judiciário, pelos advogados de investigados e réus e pela sociedade”, destacou.

Na conversa com senadores, Aras disse que a República não combina com heróis, segundo os dois parlamentares ouvidos pela Reuters. Embora ele não tenha nominado a quem se referia, Major Olímpio considera que o comentário seria endereçado ao coordenador da força-tarefa em Curitiba, Deltan Dallagnol, e ao ex-ministro da Justiça e ex-juiz da operação Sergio Moro.

Em nota pública divulgada na noite desta quarta, a Procuradoria-Geral da República disse que as informações genéricas prestadas por Aras na videoconferência da véspera são objeto de investigação que corre em sigilo na Corregedoria do MPF.

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