Movimentos de um ministro enfraquecido

Jair Bolsonaro e Paulo Guedes Misto Brasília
Bolsonaro e Paulo Guedes durante assinatura de documento que prorroga o Benefício Emergencial/Arquivo/Carolina Antunes/PR
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Texto de André César

A nova tentativa de reaproximação entre o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ministro da Economia, Paulo Guedes, pode se revelar mais um movimento inócuo em termos políticos. O histórico recente e o atual quadro geral reforçam essa percepção.

O jantar realizado na segunda-feira, 5 de outubro, correu dentro do script. Muitas autoridades presentes, imprensa registrando tudo, o inevitável guisado de bode à mesa e, ao final, protocolares pedidos mútuos de desculpas, a defesa da pacificação e da continuidade das reformas. Nada de novo nesse front.

O quadro é similar a outros ocorridos já no governo Bolsonaro. Guedes, como se sabe, tem personalidade forte e não foram poucas as lideranças que bateram de frente com ele. Maia é apenas uma delas e, mais de uma vez, teve atritos em público com o ministro.

O diferencial, agora, é que Guedes queimou seus últimos recursos políticos na defesa de suas teses. Com o avanço do grupo desenvolvimentista do governo – Braga Netto, Rogério Marinho e outros – e a necessidade de se ampliar os gastos públicos em função da pandemia, a agenda liberal do ministro caiu para um segundo plano. É chavão, mas é fato – o “posto Ipiranga” ficou sem combustível.

Assim, Paulo Guedes hoje pouco tem a oferecer em termos práticos a Maia. Na verdade, com a agenda esvaziada, a função do ministro é a de contenção de danos maiores às contas públicas. A manutenção do teto de gastos, por exemplo. O mercado, fiador do ministro, não espera muito mais do que isso. Muito pouco, se comparado às propostas de Guedes quando assumiu o comando da pasta.

Quanto às reformas, a história tende a se repetir. Assim como ocorreu com a reforma da Previdência, o avanço das proposições (em especial a tributária e a administrativa) se dará única e exclusivamente em função da ação parlamentar. O governo novamente será um espectador.

Já ao enfraquecido ministro restam duas alternativas: aceitar a realidade e tocar uma espécie de “arroz com feijão” à frente da pasta ou deixar o cargo e retornar ao mercado. A segunda opção, a cada dia que passa, torna-se mais e mais sedutora.

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