Opinião pública: estabilidade de Bolsonaro

Jari Bolsonaro arma Misto Brasília
Bolsonaro e sua política em favor de armas/Arquivo//Divulgação/PR
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Texto de André César

De certo modo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem motivos para comemorar nesse final de ano. Nem mesmo as notícias ruins para ele e seu governo, como o avanço da Covid em todo o país, as incertezas na economia e as permanentes denúncias contra seu entorno abalaram a imagem do titular do Planalto. Os números da mais recente pesquisa XP/Ipespe mostram isso.

De acordo com o levantamento, realizado entre 7 e 9 de dezembro, o quadro geral é de estabilidade. A avaliação “ótimo” e “bom” do governo oscilou positivamente em um ponto percentual, passando de 37% para 38%. O “ruim” e “péssimo” também oscilou um ponto, de 34% para 35%. Para o Planalto, um cenário positivo – afinal, quanto menos marola, melhor.

A expectativa para o restante da atual administração segue a mesma linha. Para 40% dos brasileiros, o governo será “ótimo”
ou “bom” (37% em novembro), enquanto 33% acreditam que será “ruim” ou “péssimo” (35% no último mês). Aqui deve ser levado em conta o “efeito Natal”, quando as pessoas, mesmo inconscientemente, projetam mudanças positivas para o ano que se iniciará.

Os governadores, muitos deles em guerra com o presidente por conta da vacinação contra a Covid, também receberam boa notícia. A avaliação positiva passou de 32% para 36%, enquanto a negativa foi de 28% para 26%. Os números podem servir de estímulo extra para chefes do Executivo estadual, como o paulista João Dória (PSDB), a seguirem no ataque contra Bolsonaro.

A possível segunda onda da Covid se faz sentir de maneira tênue na população. Segundo a pesquisa, 40% dos entrevistados têm “muito medo” (37% em novembro), enquanto 22% “não têm medo” (24% em novembro). Dado o avanço esperado da doença para muito breve, esses números poderão sofrer alterações significativas já no próximo levantamento.

Aqui temos um dado bastante interessante. A atuação do presidente no combate à pandemia é reprovada por 48% da população, enquanto a reprovação aos governadores nesse quesito é de 27%. Bolsonaro segue em desvantagem na disputa, muito por conta das idas e vindas de seu governo, em especial o ministério da Saúde.

Enfim, a pesquisa /Ipespe não traz grandes novidades. O presidente e seus aliados podem comemorar os números, mas a atual estabilidade do cenário pode ser traiçoeira. Tudo dependerá de como o Planalto abordará a crise da Covid nos próximos meses.

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