O mercado financeiro suspeita que a Petrobras está “segurando“ os preços dos combustíveis. O controle de preços com suspeitas de motivações políticas e ameaça de greve dos caminhoneiros. Será que os fantasmas de ingerência do passado voltaram a rondar a petroleira?
Tudo começou com a reclamação da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), que, na primeira semana do ano, protocolou no Cade, órgão de defesa da concorrência, um ofício alegando que a Petrobras estaria segurando os preços dos combustíveis, ao mantê-los abaixo da paridade internacional, em uma prática predatória. Poucos dias depois, notícias começaram a circular sobre uma possível nova greve de caminhoneiros, de acordo com o site Infomoney.
Para Adriano Pires, sócio-fundador e diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), o represamento de preços não deixa dúvidas: “Que está defasado está, ponto. A discussão é o quanto”, diz o especialista, que é uma das maiores referências do país quando o assunto é petróleo. E o fato de as notícias sobre greve e controle de preços surgirem juntas não é coincidência, segundo ele. Ambas as reivindicações decorrem do fato de que a cotação do petróleo está subindo.
“Os caminhoneiros ameaçam greve porque dizem que o diesel está caro. A Abicom diz que o diesel está barato. É uma ‘escolha de Sofia’ e a Petrobras está no meio: se ela aumenta o preço, pode incentivar a greve; se deixa defasado, é acusada de dumping [usar seu poder de monopólio para segurar preço] e impedir a importação”, diz Pires. Ao praticar um preço forçadamente baixo, a Petrobras dificulta a atividade das importadoras independentes, como as representadas pela Abicom, sujeitas à cotação do petróleo no mercado externo, explica Pires.





















