Cultivar, vender e consumir cannabis – até então, isso só é realmente legal em alguns lugares do mundo, como Canadá, Uruguai e alguns estados dos Estados Unidos. Agora o México – ator importante no mercado ilegal de maconha global – deve entrar nesse seleto grupo.
A Câmara dos Deputados do país aprovou na semana passada um projeto de lei nesse sentido, e a expectativa é que o Senado também aprove o texto, pois já havia dado em novembro seu aval à proposta, que tem que retornar ao crivo dos senadores após sofrer algumas mudanças.
Enquanto parlamentares conservadores expressaram preocupações de que o consumo e o vício possam aumentar, os defensores da descriminalização falam de um passo em direção à paz. Além dos possíveis efeitos sobre o mercado ilegal, as discussões sobre a legalização da cannabis sempre se concentram em uma questão: o consumo e o número de viciados aumentarão?
A opinião de muitos especialistas é que uma legalização, no geral, contribui para a saúde pública – mesmo que o consumo aumente ligeiramente como resultado, como ocorre no Canadá e no Uruguai. Porque dessa forma a qualidade é garantida, e as pessoas podem avaliar melhor o que estão consumindo.
O economista Buscaglia duvida que a produção legal possa realmente ser devidamente separada da ilegal e que os mecanismos regulatórios funcionem. “As melhores leis são inúteis se as instituições do Estado são incapazes de implementá-las”, argumenta, lembrando que o México também fracassa na regulamentação de outras substâncias legais: álcool, cigarros e medicamentos.
O caminho do México na rota para uma cannabis legal e livre de conflitos ainda é longo e cheio de pontos de interrogação. Como as licenças serão concedidas? Até que ponto o crime organizado tentará se envolver? Os cartéis permitirão que os produtores de maconha que já trabalham com eles saiam da cooperação? (Da DW)
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