A chacina promovida todos os dias no Brasil

Operação policial Rio de Janeiro
Detalhe da operação policial realizada ontem no Jacarezinho, no Rio, pela Polícia Civil/DW
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O Brasil está conflagrado há muito tempo, muita gente já sabe disso. Vivemos com problemas monumentais com discursos intermináveis sobre tudo. As soluções parecem inatingíveis. Educação, saúde, meio ambiente, emprego e desemprego, saneamento, incompetência pública, corrupção, desenvolvimento social e econômico. Os temas são diversos e, em alguns casos, complexos.

A criminalidade parece dominar as discussões, mas nem por isso somos capazes de quebrar um ciclo crescente de violências. Muita gente se elegeu em cima desse tema. A mais nova polêmica apareceu ontem com a morte violenta de 25 pessoas e cinco feridos. Foi a operação mais letal da história do Rio de Janeiro.

Um policial civil e 24 criminosos, segundo a Polícia Civil, perderam a vida. Entidades suspeitam que tenha havido execuções sumárias e provas estão sendo apagadas pelos policiais. De um total de 21 mandados de prisão, apenas três foram cumpridos, e outros três dos alvos foram mortos.

Há muitas discussões para um mesmo problema. O pano de fundo é construído há décadas sobre escombros da pobreza, da miséria, da intolerância, do racismo, da concentração de renda e falta de oportunidades. A engrenagem tritura esperanças e transforma nossa sociedade.

O cenário de desespero permite que falsos messias, políticos inescrupulosos e criminosos do tráfico de drogas e armas dominem as comunidades. Esta realidade não é um caso único da favela do Jacarezinho – onde ocorreu ontem a operação policial -, mas é uma realidade clara e cristalina em todos os estados brasileiros.

Aqui não se trata de desenhar um quadro dramático, mas é a pura realidade. A concentração de renda cada vez mais cruel empurra milhares de jovens para o crime. E há quem diga que só vai para o crime quem quer, mas não é bem assim. Viva numa comunidade violenta e saberá do que estou escrevendo.

A solução está nas mãos de quem detém o poder, o dinheiro e a decisão. Infelizmente, não há indicativo para que isso aconteça a curto ou a longo prazos. Veja o que está acontecendo no Congresso Nacional. A reforma tributária, que poderia ser a mãe de todas as reformas, patina no limbo há mais de 30 anos. Não há interesse em mexer no abelheiro.

As perspectivas são desanimadoras. Nossos políticos enxergam a ponta do sapato. O que está em discussão é a manutenção ou a chegada ao poder. Sinceramente, não vejo vontade de alterar essa situação catastrófica potencializada pelos reflexos e consequências da peste.

E uma pergunta que cabe: estamos vivendo um vale-tudo?

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