Depois da Covaxin

CPI da Covid irmãos Miranda e Renan Calheiros
Os irmãos Miranda e Renan Calheiros após o depoimento na CPI da Covid/Arquivo/Pedro França/Agência Senado
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O preço político do apoio do Centrão ao Planalto subirá muito. Será apresentado um novo pedido de impeachment

Texto de André César

É inegável que as denúncias de supostas irregularidades na aquisição da vacina indiana Covaxin elevaram a temperatura política. Em meio à queda consistente nos índices de popularidade, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vive seu pior momento como titular do Planalto. O que virá a partir de agora?

No âmbito da CPI da Covid, houve uma clara mudança no rumo das investigações. Após apurar a omissão de autoridades no combate à pandemia e a existência de um “gabinete paralelo” no governo, o colegiado passa a ter como foco a corrupção pura e simples – algo que, no plano simbólico, tem grande impacto junto à população.

Ao entrar no terreno das ilicitudes, os senadores podem retirar definitivamente do atual governo o discurso da honestidade. “Esse governo não rouba”, é bom lembrar, é um dos principais motes de Bolsonaro e aliados. Esse discurso perde força com as últimas denúncias.

Na quarta-feira (30) será apresentado um novo pedido de impeachment do presidente da República. O evento pode representar um novo revés para o governo e, no limite, aumentar ainda mais a pressão sobre Bolsonaro. Cabe aqui a pergunta – o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), manterá na gaveta mais esse pedido?

O preço político do apoio do Centrão ao Planalto, é claro, subirá muito. Também os militares sentem que o momento requer cautela e, em especial o vice-presidente, Hamilton Mourão, pode ser figura central no desenrolar dos fatos. Algo se move em Brasília.

No plano eleitoral, o ex-presidente Lula ganha ainda mais força e, ciente do momento, conversa com o centro e com o mercado. O petista sabe que, caso Bolsonaro se torne uma figura disfuncional, o centro e a direita poderão ser obrigados a buscar um nome alternativo para 2022. Alguém moderado e mais palatável para o eleitor médio, que poderia ameaçar de fato o favoritismo de Lula.

Enfim, são muitas as variáveis em jogo e as próximas semanas serão decisivas para os rumos da nação. Só uma coisa é certa – nada será como antes depois da Covaxin.

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