Na pesquisa espontânea, o ex-presidente Lula (PT) aparece com 28% das citações, contra 22% de Bolsonaro
Texto de André César
Sabe-se que a avaliação da opinião pública é elemento essencial para a saúde política de um governo. No caso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), as últimas pesquisas trazem más notícias e, pior, o horizonte está carregado de nuvens.
O mais recente levantamento CNT/MDA, realizado entre os dias 1 e 3 de julho, confirma a corrosão da popularidade presidencial, já apontada em outras pesquisas. Para 48% dos entrevistados, o governo é “ruim” ou “péssimo” – esse índice era de 35% em fevereiro. Já os que consideram a atual gestão “boa” ou “ótima” totalizam 28%, contra 33% no levantamento anterior. Sinal amarelo no Planalto.
Uma das explicações para a queda na avaliação geral está no combate do governo à pandemia. O índice de desaprovação de Bolsonaro nesse quesito passou de 42% para 57%, um salto expressivo. O presidente ainda é considerado o principal responsável pela demora na vacinação por 49% dos entrevistados, número que contrasta fortemente com os reduzidos 6% que apontam os governadores como os maiores responsáveis pelo atraso. A CPI da Covid do Senado Federal certamente tem influência sobre essa avaliação.
O levantamento aborda ainda a sucessão presidencial. Na pesquisa espontânea, o ex-presidente Lula (PT) aparece com 28% das citações, contra 22% de Bolsonaro. Ciro Gomes (PDT) tem apenas 2% das investigações de voto, enquanto João Dória (PSDB) e Sérgio Moro (sem partido) empatam, com 1% para cada.
Na estimulada, o petista teria 41%, contra 27% do titular do Planalto. Gomes e Moro receberiam 6% cada um, e Dória e Luiz Henrique Mandetta (DEM), 2% cada um.
Interessante olhar os índices de rejeição. Bolsonaro lidera, com 62% dos entrevistados afirmando que “não votariam nele de jeito nenhum”. Em seguida aparecem Dória (58%), Moro (57%), Gomes (52%), Mandetta (51%) e Lula (44%). A menor rejeição ao ex-presidente em relação aos demais chega a surpreender, dado o antipetismo corrente em certos setores da sociedade brasileira.
Duas constatações surgem a partir dos números eleitorais. Em primeiro lugar, Lula vai se consolidando como o único nome, hoje, capaz de derrotar Bolsonaro. Além disso, a chamada “terceira via” patina e parece distante de atrair o eleitor. O grupo precisa revisar suas estratégias para ter alguma chance de êxito em 2022.
Enfim, Bolsonaro está em uma encruzilhada. Caso não atue efetivamente para reverter a atual tendência, poderá entrar na disputa eleitoral com reduzida competitividade. Essa mudança no governo passa, é claro, por ações como a recém-anunciada prorrogação do auxílio emergencial por mais três meses, mas precisa ir além disso. Medidas meramente paliativas não são mais suficientes para manter o atual presidente no Planalto por mais quatro anos.
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