O jogo do poder

Jair Bolsonaro presidente DF Misto Brasília
Bolsonaro está sendo investigado pela Polícia Federal/Arquivo/Divulgação
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Diante de tamanho Mal, não há como não ver ou saber o que se passou ou passamos

Texto de André César e Vinício Carrilho Martinez

Ninguém que participou do governo que se encerra, de acordo com todas as pesquisas de opinião realistas, é inocente (útil ou não) e muito menos poderá alegar em defesa própria que assim agiu pensando num grande ideal do Bem Nacional.

Trata-se de um governo que se caracterizou pelos ataques à Ciência, à Educação e Saúde Pública, à cultura e meio ambiente, aos pobres e aos trabalhadores, à economia e às instituições democráticas, às mulheres e crianças, aos indígenas e quilombolas, que se negou à vacinação e que fez pouco caso da vida humana: dizia “não ser coveiro”, quando na verdade foi o interlocutor do vírus mortal.



Portanto, não é à toa que muitos pensam na solução de Nuremberg, aquela do pós segunda guerra mundial. Afinal, em meio à ação do poder público que sempre visou a dissolução da civilidade, do Processo Civilizatório (é difícil dizer o que não esteja sob ataque cerrado), os meios e soluções previstas no atual estágio do Estado de Direito não seriam suficientes. Tratar-se-ia de Democídio inimaginável, ou Fascismo, como muitos dizem.

Diante de tamanho Mal, não há como não ver ou saber o que se passou ou passamos. Para muitos, o ideal seria refazer o caminho do general Paton (EUA) ao levar todos os habitantes de Weimar para verem in loco o extermínio nazista nos campos de concentração.

Como nada disso será feito, restaria supor como se darão algumas danças de cadeiras do poder. Neste caso, a desintronização dos militares de poder é simbólica.




Alguns predizem que esse movimento já está em curso, ou seja, já há deserção na caserna do poder palaciano, bem como parte do Centrão já estaria traçando sua rota de fuga do poder tóxico.

O ano mal começou. É fato. Porém, pode-se supor (sem que haja conspiração a ser avaliada pela Polícia Federal), se a saída que os militares de alta patente procuram, em 2022, será “lenta, gradual e segura”. Este foi o mote do final do Regime Militar, na era Figueiredo, e que preferia o cheiro de cavalos ao odor do povo.

Cada povo tem os líderes que merece: Homero deu aos gregos um Heitor – Adorador de Cavalos. Mas que tanto amava o povo de Tróia que lhes deu sua vida.

A questão final, a saber, é simples e lógica: não termos Heitor, é de fácil compreensão, porém, teremos Anistia, com absolvição total dos envolvidos, ou algum tipo de Nuremberg? Ou nenhum dos dois caminhos?




Então, como seria essa suposta terceira via jurídica? Certamente, as respostas passarão pelas forças armadas, hoje, menos identificadas com o governo, ao mesmo tempo que muito mais baleadas em sua imagem institucional.

É melhor, em todo caso, que no Dia D a estratégia do desembarque esteja a cargo de políticos hábeis e não dos militares – se pensarmos que eles procuram o melhor para si próprios.

Essas são apenas algumas linhas do que se denomina de Luta por Conservação, em meio a uma verdadeira guerra política e civilizatória.

Dá para imaginar a leitura dos próximos livros de história…

(Vinício Carrilho Martinez é cientista social e professor da Universidade Federal de São Carlos, e André Pereira César é cientista político)


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