O Brasil já foi o maior fornecedor de carnes para a Rússia, mas a política do Kremlin mudou
A reportagem da agência Sputnik Brasil conversou com o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), Antonio Jorge Camardelli, e com o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, para saber por que as carnes brasileiras estão de volta à Rússia. O presidente Jair Bolsonaro (PL) e Vladimir Putin se encontraram hoje (15) em Moscou.
O Brasil já foi o maior fornecedor de carnes para a Rússia, mas a política do Kremlin de substituição de importações e entraves sanitários frearam as exportações nos últimos anos. Em 2021, no entanto, um surto de peste suína africana acometeu o rebanho russo e demandou uma desaceleração no ritmo da produção local.
“O governo local chama o Brasil para ajudar no abastecimento, em função do processo inflacionário que está ocorrendo por conta da peste suína africana que acometeu a indústria local”, explicou o presidente ABPA, Ricardo Santin.
Em novembro de 2021, durante visita da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, à Rússia, o Kremlin anunciou a concessão de cota de 300 mil toneladas de carne com tarifa zero de importação, o que favoreceu as exportações brasileiras.
Uma estratégia para novos mercados
A cota garante um volume adicional de 200 mil toneladas de carne bovina durante um período de 12 meses e de 100 mil toneladas de carne suína por um período de seis meses.
“Estamos preparados para retomar aquela parceria que já foi de 400 mil toneladas de carne suína por ano, e que agora pode crescer”, disse Santin. “Precisamos da extensão do prazo da cota, para ter melhor capacidade de atendimento a esse chamado russo”.
Para o presidente da ABIEC, Antonio Jorge Camardelli, o período de queda nas exportações brasileiras para a Rússia deve ser transitório. “Essa interface transitória tem uma justificativa muito plausível: um país como a Rússia precisa se proteger um pouco sob o aspecto de autossuficiência”.
A política de substituição de importações do governo russo favoreceu algumas empresas locais de produção de carne bovina, como a Miratorg.
“A Rússia hoje contempla provavelmente um dos maiores produtores individuais de carne Angus. Isso fez parte de um processo de aprendizado, advindo da troca comercial [com o Brasil]”, disse Camardelli. “A realidade é que houve uma expansão do conhecimento tecnológico, e hoje eles são competidores internacionais”.
Enquanto aguarda a visita, Camardelli se declara satisfeito com a presença de representantes de novos setores econômicos nas reuniões do Conselho Empresarial Brasil-Rússia.
“A gente saúda a oxigenação neste Conselho tão importante, onde inúmeros itens comerciais devem avançar”, disse o presidente da ABIEC. “Temos representantes não só da área de alimentos, mas também de farmacêutica e bioquímica. Então vemos que a própria estrutura está em expansão”.




















